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09/02/2024

A Classe Operária e o Neomalthusianismo (V. I. Lênin, 1913)

Lenin ao analisar as discussões de um congresso médico expõe como o pessimismo da pequena burguesia com respeito aos filhos é expressão patente do "neomalthusianismo social".

Em oposição, o proletariado, classe em ascenção, encontra nos filhos a esperança da continuidade de sua luta.

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A Classe Operária e o Neomalthusianismo 

(V. I. Lênin, 1913)

No congresso médico, realizado no Instituto Pirogov, despertou grande interesse e suscitou inúmeras discussões, a questão do aborto provocado. O relator, Lickus, citou dados referentes à grande difusão dos abortos provocados, nos dias de hoje, nos países que se dizem civilizados.

Em Nova Iorque verificaram-se em um ano 80 mil abortos provocados; na França, 36 mil por mês. Em Petersburgo a percentagem dos abortos provocados aumentou em mais do dobro no espaço de cinco anos.

03/12/2023

Organizando Mulheres Trabalhadoras (Clara Zetkin, 1922)

Camaradas, antes de iniciar meu relatório das atividades do Secretariado Internacional das Mulheres e o desenvolvimento da atividade comunista entre as mulheres, permita-me alguns breves comentários. Eles se fazem necessários porque nosso trabalho ainda é incompreendido não apenas pelos nossos oponentes, mas também por nossos próprios camaradas. É resquício de uma antiga visão para uns e um preconceito deliberado para outros, porque não se simpatizam com a nossa causa e até, em partes, se opõem a ela.

03/10/2023

Nítida separação (Clara Zetkin - 1894)

Nos dias 28 e 29 de março, um congresso de feministas burguesas (bürgerlicher Frauenrechtlerinnen) foi realizado em Berlim com o objetivo de estabelecer uma federação de associações de mulheres sem fins lucrativos na Alemanha. Os nossos leitores sabem que o feminismo burguês (Frauenrechtelei) e o movimento das mulheres proletárias são dois movimentos sociais fundamentalmente diferentes, de modo que o último pode dizer ao primeiro com completa justificação: "Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos” (Isaías 55:8-9). Não temos, portanto, motivos para informar neste momento o referido Congresso, e menos ainda, uma vez que o programa com base no qual a Associação foi fundada é muito vago e carente de conteúdo, e não vai além de frases genéricas sobre "organização cooperação das associações de mulheres para preservar os valores mais elevados da família, para combater a ignorância e a injustiça", etc., etc.

As sufragistas apenas tiveram um debate aceso sobre a posição a adotar pela nova Associação para a Social-Democracia. A grande maioria dos oradores opôs-se à inclusão de “associações abertamente social-democratas”. A justificação para tal posição – “Não queremos assustar o resto dos elementos e queremos banir a política da Associação” – é em si indiferente, mas característica da natureza incolor, submissa e chorosa do feminismo alemão. Enquanto as feministas burguesas em todos os outros países lutam com toda a sua energia precisamente pela garantia da igualdade política, na Alemanha nem sequer se atrevem a preocupar-se oficialmente com a política!

04/07/2023

As correntes filosóficas no movimento feminista (Anuradha Gandhi)

O seguinte texto é obra de Anuradha Gandhi, fundadora do PCI (M-L) e membro do CC do PCI (Maoísta) até sua morte, em 2008.

Se caracteriza como importante documento que expõe as bases das correntes feministas ocidentais, criticando as linhas feministas que tentam encontrar dentro do próprio capitalismo a solução para os problemas da mulher.

Tópicos desenvolvidos:

  •  Feminismo liberal

  • Crítica

  • Feminismo radical

  • Crítica

  • Sistema sexo/gênero e patriarcado

  • Sexualidade: a heterossexualidade e o lesbianismo

  • Crítica

  • Anarcofeminismo

  • Ecofeminismo

  • Feminismo socialista

  • Estratégia do feminismo socialista para a libertação da mulher

  • Crítica

  • O feminismo e o pós-modernismo

  • Resumo

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Introdução geral ao Movimento de Mulheres no Ocidente, pela Camarada Janaki 

(Anuradha Ghandi):

Feminismo liberal

O feminismo liberal desfrutou de uma longa história nos séculos XVIII e XIX com pensadoras como Mary Wollstonecraft (1759-1797), Harriet Taylor Mill (1807-1858), Elisabeth CadyStanton (1815-1902), argumentando a favor dos direitos da mulher na base da compreensão filosófica liberal. O movimento pela igualdade de direitos para mulheres, especialmente a luta pelo direito ao voto, se baseou principalmente no pensamento liberal.

06/06/2019

Alexandra Kollontai - Os Fundamentos Sociais da Questão Feminina [Extratos]

Publicamos a seguir, Os Fundamentos Sociais da Questão Feminina [extratos], de Alexandra Kollontai.  Esta grande Comunista defende e fundamenta a posição de classe do proletariado para o movimento de mulheres. 

 tradução retirada de: https://www.marxists.org/portugues/kollontai/1907/mes/fundamentos.htm  

 
Alexandra Kollontai

 

Os Fundamentos Sociais da Questão Feminina [Extratos]

Alexandra Kollontai

1907

Deixando os sábios burgueses extasiados no debate sobre a questão da superioridade de um sexo sobre o outro, ou o peso do cérebro e a comparação da estrutura psicológica de homens e mulheres, os seguidores do materialismo histórico aceitam plenamente as peculiaridades naturais de cada sexo e requerem apenas que cada pessoa, seja homem ou mulher, tenha uma verdadeira oportunidade para sua mais completa e livre autodeterminação, e um maior desenvolvimento e implementação de todas as suas capacidades naturais. Os seguidores do materialismo histórico rejeitam a existência de uma questão específica das mulheres separada da questão social geral da atualidade. Atrás da subordinação das mulheres se escondem fatores econômicos específicos, as características naturais têm sido um fator secundário neste processo. Apenas o desaparecimento completo desses fatores, só a evolução dessas forças que em algum momento no passado levaram à subordinação das mulheres, será capaz de influenciar e alterar fundamentalmente a composição social que ocupa atualmente. Em outras palavras, as mulheres só podem se tornar verdadeiramente livres e iguais apenas em um mundo organizado por novas linhas sociais e de produção.

07/11/2018

Viva os 101 anos da GRSO - Grande Revolução Socialista de Outubro!

Adolf Strakhov, 
Mulher emancipada - construa o socialismo!, 1926, Litografia em papel 
Hoje, 07 de novembro, completam-se 101 anos da GRSO - Grande Revolução Socialista de Outubro. Esse extraordinário acontecimento da humanidade inaugurou a era da Revolução Proletária Mundial e demonstrou que o caminho da emancipação da mulher é obra da Revolução Proletária. A luta dos bolcheviques pela completa incorporação da mulher na produção social, de transformação do trabalho doméstico em indústria social abriu as portas para a nova sociedade onde haverá verdadeira igualdade entre homens e mulheres. Os milhões de massas femininas que marcharam sob a direção do grande Lenin e do Partido Bolchevique na Rússia provaram historicamente sua poderosíssima força de classe. A GRSO nos revelou grandes dirigentes do proletariado como Nadezda Krupskaia e Alexandra Kollontai, em que nos referenciamos em nossa luta pela emancipação. 



Viva os 101 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro!

Como homenagem aos 101 anos da GRSO reproduzimos o Discurso de Lenin no Primeiro Congresso Pan-Russo das Operárias em 1919.
Fonte: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1918/11/19.htm. 


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Discurso no Primeiro Congresso Pan-Russo das Operárias

V. I. Lênin

19 de Novembro de 1918

21/06/2018

O Poder Soviético e a Situação da Mulher - Lenin


 Publicamos a seguir, o artigo do grande Lenin, O Poder Soviético e a Situação da Mulher. Lenin nos deu o grande ensinamento de que A Emancipação da mulher é Obra da Revolução Proletária.
Disponível também em:
<https://www.marxists.org/portugues/lenin/1919/11/06.htm> Acesso em: 21 de jun. 2018.
Primeira Edição: Publicado na Pravda, nº 249, de 6 de novembro de 1919. (Obras Completes, vol. XXIV, págs, 517-519.)
O Poder Soviético e a Situação da Mulher
  
V. I. Lênin
06 de Novembro de 1919
 O segundo aniversário do poder soviético nos impõe passar em revista tudo aquilo que foi realizado no decorrer desse período e refletir sobre a significação e os fins da revolução que realizamos.
A burguesia e seus defensores nos acusam de haver violado a democracia. Declaramos que a revolução soviética deu à democracia um impulso sem precedentes, tanto em amplitude como em profundidades; esse impulso ela o deu precisamente à democracia para as massas trabalhadoras exploradas pelo capitalismo, isto é, à democracia para a imensa maioria do povo, à democracia socialista (para os trabalhadores), que se deve distinguir da democracia burguesa (para os exploradores, os capitalistas, os ricos).

19/06/2018

A Família e o Estado Socialista - Alexandra Kollontai


A Família e o Estado Socialista

Alexandra Kollontai

1. A Família e o trabalho assalariado da mulher.

Conservar-se-á a família no Estado comunista? Será esta a mesma e com a missão que tem hoje? Eis aqui uma questão que atormenta a mulher da classe operária, e do mesmo modo os seus companheiros, os homens. Nestes últimos tempos este problema ocupa particularmente os espíritos no mundo dos operários, e isto não deve surpreender-nos, já que a vida muda ante os nossos olhos, vêem-se desaparecer a pouco e pouco os antigos costumes; toda a existência da família proletária organiza-se de modo novo; de modo insólito e estranho, afirmam alguns. Todavia o que mais fez refletir a mulher nas presentes contingências é que o divórcio foi facilitado na Rússia dos Sovietes. Com efeito, em virtude do decreto dos comissários do povo de 18 de dezembro de 1917, o divórcio deixou de ser um luxo, apenas acessível aos ricos; para o futuro, a mulher operária não deverá solicitar durante meses, ou durante anos, um passaporte separado para reconquistar a sua independência e afastar-se de um marido bruto ou bêbado, que a enche de pancada. Para o futuro, o divórcio far-se-á no espaço de uma semana ou, no máximo, duas semanas. Mas precisamente esta facilidade de divórcio, tão abençoado pelas mulheres infelizes no matrimônio, é o que espanta as demais, especialmente as que estão habituadas a considerar o marido como seu único sustento na vida, e que não compreendem que a mulher deve acostumar-se a procurar e encontrar o seu sustento em outra parte, não na pessoa do homem, mas na coletividade, no Estado.

15/06/2018

Artigo da FERP - Chile


A seguir publicamos tradução feita por nós do artigo Feminismo, luta de classes e marxismo publicado na edição especial Rebelión Femenina de La Rebelión se Justifica nº 19 - FERP disponível em <http://ferp-larebelionsejustifica.blogspot.com/2018/06/la-rebelion-se-justifica-n19.html> (acesso em 15-06-2018).

Feminismo, luta de classes e marxismo.

Desde que estalou a luta feminina por todo o país, muitas mulheres pela primeira vez começaram a mobilizar-se e a educar-se politicamente.

O velho Estado e os monopólios de imprensa para desviar este processo, tem tratado de tergiversar a luta e seu conteúdo político, buscando nos fazer crer que ricas e pobres são igualmente oprimidas, que o movimento feminino é “transversal para esquerda e direita”.
Neste artigo buscaremos derrubar alguns mitos e explicar a relação entre a luta feminina, a luta de classes e o marxismo.

09/06/2018

Conversas com a camarada Laura nas bases das montanhas Vizcatán


Publicamos a seguir “Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán”. Este é um importante documento de defesa do pensamento gonzalo e da Guerra Popular do Peru, que inspira os comunistas do mundo inteiro. A presente tradução foi retirada do blog Servir ao Povo de Todo Coração, disponível em: <https://serviraopovo.wordpress.com/2017/07/10/desenvolvimento-da-campanha-pela-defesa-de-nossa-chefatura-o-presidente-gonzalo-conversas-com-a-camarada-laura-nas-bases-das-montanhas-vizcatan/>. Acesso em: 08 de jun. 2018.

Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN

INTRODUÇÃO
Hoje, publicamos as CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN, no VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), realizada por volta de 2012, o essencial da entrevista é que nela, como tem que ser, com guerra popular se assume a defesa do Presidente Gonzalo, a chefatura do Partido e da revolução, do pensamento gonzalo, o I Congresso e da BUP (Base de Unidade Partidária) e todo o caminho percorrido até agora e se toma firme posição contra a LOD (Linha Oportunista de Direita) revisionista e capitulacionista encabeçada pela ratazana Miriam e especialmente contra a linha oportunista de direita, disfarçada de esquerda, revisionista e capitulacionista da ratazana José e sua camada que usurparam o CRP (Comitê Regional Principal). Consideramos que é um magistral documento marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo. Nele com a documentação partidária em mãos a camarada Laura, desde as mesmas montanhas de Vizcatán, com profundo sentimento e ódio de classe, com firme convicção e posição comunista e com a ideologia do marxismo-leninismo-maoismo, pensamento gonzalo assume a defesa de nossa chefatura, o Presidente Gonzalo, e de seu todopoderoso pensamento, e deslinda, aplasta e varre contra todas as patranhas da CIA - reação peruana e seus serviçais do novo revisionismo contra o Presidente Gonzalo, o PCP e a guerra popular.

04/06/2018

Eleanor Marx-Aveling Karl Marx (Notas Dispersas)

Como parte das celebrações dos 200 anos do grande Karl Marx publicamos a seguir o texto Karl Marx (notas dispersas) de Eleanor Marx-Aveling. 
Tradução feita por nós do texto retirado de: Como era Carlos Marx, Visto por quienes lo conocieron (Seleccion de textos), compilação publicada digitalmente, sem data, com o selo editorial de Omegalfa.es, disponível em: <https://omegalfa.es/downloadfile.php?file=libros/como.era.carlos.marx.pdf> Acesso em: 02 de jun. 2018.

Eleanor Marx-Aveling

Karl Marx (Notas Dispersas)

Meus amigos austríacos me pedem que lhes envie algumas recordações de meu pai. Não poderiam ter me pedido nada mais difícil. Mas os homens e mulheres da Áustria estão realizando uma luta tao esplêndida pela pela causa em favor a qual viveu e trabalhou Karl Marx, que não é possível negar. E por isto tratarei de enviar-lhes algumas notas dispersas e desorganizadas acerca de meu pai.

24/05/2018

Lenin e o Movimento Feminino

Lenin e o Movimento Feminino 

Clara Zetkin - 1920 


O camarada Lenin falou-me várias vezes sobre a questão feminina, à qual atribuía grande importância, uma vez que o movimento feminino era para ele parte integrante e, em certas ocasiões, parte decisiva do movimento de massas. É desnecessário dizer que ele considerava a plena igualdade social da mulher como um princípio indiscutível do comunismo. 

Nossa primeira conversação longa sobre esse assunto teve lugar no outono de 1920, no seu grande gabinete, no Kremlin. Lenin estava sentado diante de sua mesa coberta de livros e de papéis, que indicavam seu tipo de ocupação e seu trabalho, mas sem exibir «a desordem dos gênios». 

«Devemos criar necessariamente um poderoso movimento feminino internacional, fundado sobre uma base teórica clara e precisa» — começou ele, depois de haver-me saudado. «É claro que não pode haver uma boa prática sem teoria marxista. Nós, comunistas, devemos manter sobre tal questão nossos princípios, em toda sua pureza. Devemos distinguir-nos claramente de todos os outros partidos. Infelizmente, nosso II Congresso Internacional não teve tempo de tomar posição sobre esse ponto, embora a questão feminina tivesse sido ali levantada. A culpa é da comissão, que faz com que as coisas se arrastem. Ela deve elaborar uma resolução, teses, uma linha precisa. Mas até agora seus trabalhos não avançaram muito. Deveis ajudá-la.» 

08/03/2017

As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo

As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo

V. I. Lenin - Março de 1913

Obras Completas de V.I. Lenin, 5. ed. em russo, t. 23, pp. 40 - 48.

A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo uma espécie de "seita perniciosa". E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social "imparcial". De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital.

Mas não é tudo. A história da filosofia e a história da ciência social ensinam com toda a clareza que no marxismo não há nada que se assemelhe ao "sectarismo", no sentido de uma doutrina fechada em si mesma, petrificada, surgida à margem da estrada real do desenvolvimento da civilização mundial. Pelo contrário, o gênio de Marx reside precisamente em ter dado respostas às questões que o pensamento avançado da humanidade tinha já colocado. A sua doutrina surgiu como a continuação direta e imediata das doutrinas dos representantes mais eminentes da filosofia, da economia política e do socialismo.

A doutrina de Marx é onipotente porque é exata. É completa e harmoniosa, dando aos homens uma concepção, integral do mundo, inconciliável com toda a superstição, com toda a reação, com toda a defesa da opressão burguesa. O marxismo é o sucessor legítimo do que de melhor criou a humanidade no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês.

Vamos deter-nos brevemente nestas três fontes do marxismo, que são, ao mesmo tempo, as suas três partes constitutivas.

I


A filosofia do marxismo é o materialismo. Ao longo de toda a história moderna da Europa, e especialmente em fins do século XVIII, em França, onde se travou a batalha decisiva contra todas as velharias medievais, contra o feudalismo nas instituições e nas ideias, o materialismo mostrou ser a única filosofia consequente, fiel a todos os ensinamentos das ciências naturais, hostil à superstição, à beatice, etc. Por isso, os inimigos da democracia tentavam com todas as suas forças "refutar", desacreditar e caluniar o materialismo e defendiam as diversas formas do idealismo filosófico, que se reduz sempre, de um modo ou de outro, à defesa ou ao apoio à religião.

Marx e Engels defenderam resolutamente o materialismo filosófico, e explicaram repetidas vezes quão profundamente errado era tudo quanto fosse desviar-se dele. Onde as suas opiniões aparecem expostas com maior clareza e pormenor é nas obras de Engels Ludwig Feuerbach e Anti-Dübring, as quais - da mesma forma que o Manifesto Comunista - são os livros de cabeceira de todo o operário consciente.

Marx não se limitou, porém, ao materialismo do século XVIII; pelo contrário, levou mais longe a filosofia. Enriqueceu-a com as aquisições da filosofia clássica alemã, sobretudo do sistema de Hegel, o qual conduzira por sua vez ao materialismo de Feuerbach. A principal dessas aquisições foi a dialética, isto é, a doutrina do desenvolvimento na sua forma mais completa, mais profunda e mais isenta de unilateralidade, a doutrina da relatividade do conhecimento humano, que nos dá um reflexo da matéria em constante desenvolvimento. As descobertas mais recentes das ciências naturais - o rádio, os elétrons, a transformação dos elementos - confirmaram de maneira admirável o materialismo dialético de Marx, a despeito das doutrinas dos filósofos burgueses, com os seus "novos" regressos ao velho e podre idealismo.

Aprofundando e desenvolvendo o materialismo filosófico, Marx levou-o até ao fim e estendeu-o do conhecimento da natureza até o conhecimento da sociedade humana. O materialismo histórico de Marx é uma conquista formidável do pensamento científico. Ao caos e à arbitrariedade que até então imperavam nas concepções da história e da política, sucedeu uma teoria científica notavelmente integral e harmoniosa, que mostra como, em consequência do crescimento das forças produtivas, desenvolve-se de uma forma de vida social uma outra mais elevada, como, por exemplo, o capitalismo nasce do feudalismo.

Assim, como o conhecimento do homem reflete a natureza que existe independentemente dele, isto é, a matéria em desenvolvimento, também o conhecimento social do homem (ou seja: as diversas opiniões e doutrinas filosóficas, religiosas, políticas, etc.) reflete o regime econômico da sociedade. As instituições políticas são a superestrutura que se ergue sobre a base econômica. Assim, vemos, por exemplo, como as diversas formas políticas dos Estados europeus modernos servem para reforçar a dominação da burguesia sobre o proletariado.

A filosofia de Marx é o materialismo filosófico acabado, que deu à humanidade, à classe operária sobretudo, poderosos instrumentos de conhecimento.

II


Depois de ter verificado que o regime econômico constitui a base sobre a qual se ergue a superestrutura política, Marx dedicou-se principalmente ao estudo deste regime econômico. A obra principal de Marx, O Capital, é dedicada ao estudo do regime econômico da sociedade moderna, isto é, da sociedade capitalista.

A economia política clássica anterior a Marx tinha-se formado na Inglaterra, o país capitalista mais desenvolvido. Adam Smith e David Ricardo lançaram nas suas investigações do regime econômico os fundamentos da teoria do valor-trabalho. Marx continuou sua obra. Fundamentou com toda precisão e desenvolveu de forma consequente aquela teoria. Mostrou que o valor de qualquer mercadoria é determinado pela quantidade de tempo de trabalho socialmente necessário investido na sua produção.

Onde os economistas burgueses viam relações entre objetos (troca de umas mercadorias por outras), Marx descobriu relações entre pessoas. A troca de mercadorias exprime a ligação que se estabelece, por meio do mercado, entre os diferentes produtores. O dinheiro indica que esta ligação se torna cada vez mais estreita, unindo indissoluvelmente num todo a vida econômica dos diferentes produtores. O capital significa um maior desenvolvimento desta ligação: a força de trabalho do homem torna-se uma mercadoria. O operário assalariado vende a sua força de trabalho ao proprietário de terra, das fábricas, dos instrumentos de trabalho. O operário emprega uma parte do dia de trabalho para cobrir o custo do seu sustento e de sua família (salário); durante a outra parte do dia, trabalha gratuitamente, criando para o capitalista a mais-valia, fonte dos lucros, fonte da riqueza da classe capitalista.

A teoria da mais-valia constitui a pedra angular da teoria econômica de Marx.

O capital, criado pelo trabalho do operário, oprime o operário, arruína o pequeno patrão e cria um exército de desempregados. Na indústria, é imediatamente visível o triunfo da grande produção; mas também na agricultura deparamos com o mesmo fenômeno: aumenta a superioridade da grande exploração agrícola capitalista, cresce o emprego de maquinaria, a propriedade camponesa cai nas garras do capital financeiro, declina e arruína-se sob o peso da técnica atrasada. Na agricultura, o declínio da pequena produção reveste-se de outras formas, mais esse declínio é um fato indiscutível.

Esmagando a pequena produção, o capital faz aumentar a produtividade do trabalho e cria uma situação de monopólio para os consórcios dos grandes capitalistas. A própria produção vai adquirindo cada vez mais um caráter social - centenas de milhares e milhões de operários são reunidos num organismo econômico coordenado - enquanto um punhado de capitalistas se apropria do produto do trabalho comum. Crescem a anarquia da produção, as crises, a corrida louca aos mercados, a escassez de meios de subsistência para as massas da população.

Ao fazer aumentar a dependência dos operários relativamente ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unido.

Marx traçou o desenvolvimento do capitalismo desde os primeiros germes da economia mercantil, desde a troca simples, até às suas formas superiores, até à grande produção.

E de ano para ano a experiência de todos os países capitalistas, tanto os velhos como os novos, faz ver claramente a um numero cada vez maior de operários a justeza desta doutrina de Marx.

O capitalismo venceu no mundo inteiro, mas, esta vitória não é mais do que o prelúdio do triunfo do trabalho sobre o capital.

III


Quando o regime feudal foi derrubado e a "livre" sociedade capitalista viu a luz do dia, tornou-se imediatamente claro que essa liberdade representava um novo sistema de opressão e exploração dos trabalhadores. Como reflexo dessa opressão e como protesto contra ela, começaram imediatamente a surgir diversas doutrinas socialista. Mas, o socialismo primitivo era um socialismo utópico. Criticava a sociedade capitalista, condenava-a, amaldiçoava-a, sonhava com a sua destruição, fantasiava sobre um regime melhor, queria convencer os ricos da imoralidade da exploração.

Mas, o socialismo utópico não podia indicar uma saída real. Não sabia explicar a natureza da escravidão assalariada no capitalismo, nem descobrir as leis do seu desenvolvimento, nem encontrar a força social capaz de se tornar a criadora da nova sociedade.

Entretanto, as tempestuosas revoluções que acompanharam em toda a Europa, e especialmente em França, a queda do feudalismo, da servidão, mostravam cada vez com maior clareza que a luta de classes era a base e a força motriz de todo o desenvolvimento.

Nenhuma vitória da liberdade política sobre a classe feudal foi alcançada sem uma resistência desesperada. Nenhum país capitalista se formou sobre uma base mais ou menos livre, mais ou menos democrática, sem uma luta de morte entre as diversas classes da sociedade capitalista.

O gênio de Marx está em ter sido o primeiro a ter sabido deduzir daí a conclusão implícita na história universal e em tê-la aplicado consequentemente. Tal conclusão é a doutrina da luta de classes.

Os homens sempre foram em política vítimas ingênuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam - e, pela sua situação social, devam - formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.

Só o materialismo filosófico de Marx indicou ao proletariado a saída da escravidão espiritual em que vegetaram até hoje todas as classes oprimidas. Só a teoria econômica de Marx explicou a situação real do proletariado no conjunto do regime capitalista.


No mundo inteiro, da América ao Japão e da Suécia à África do Sul, multiplicam-se as organizações independentes do proletariado. Esse se educa e instrui-se travando a sua luta de classe; liberta-se dos preconceitos da sociedade burguesa, adquire uma coesão cada vez maior, aprende a medir o alcance dos seus êxitos, temperam as suas forças e cresce irresistivelmente.



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