Somente a luta revolucionária pode
pôr fim à violência contra a mulher
Boletim do MFP - Movimento Feminino Popular. Março/2019.
Temos assistido no
Brasil, nos últimos anos, um aumento vertiginoso de todo tipo de violência
contra a mulher. Espancamentos, estupros efetivados com todo o tipo de
crueldade contra mulheres adultas, jovens e crianças. O Brasil é o quinto país
do mundo no ranking mundial da prática de feminicídio. Entre 2003 e 2013 o
número de mulheres mortas de forma violenta em todo o Brasil aumentou 21%,
passando de 3.937 para 4.762. São 13 mortes violentas de mulheres por dia
(números do mapa da violência contra a mulher - 2015). Segundo dados do Anuário
Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1 estupro a casa 11 minutos
em 2015. Segundo o IPEA, cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e
adolescentes. Dados do Ministério da Saúde de 2016 apontam que há em média 10
estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país. Na
cidade de São Paulo há 1 estupro em
local público a cada 11 horas. Outros estudos estimam que os números oficiais
representam apenas 10% do total dos casos que realmente acontecem. Ou seja, o
Brasil pode ter a medieval taxa de quase meio milhão de estupros a cada ano.
Estes números nos
revelam que a tão proclamada “liberdade sexual feminina” não passa de discurso
demagógico dos defensores desta velha ordem imperante vendida como democracia.
O fato é que em nosso país a mulher segue sendo vítima dessa sociedade
patriarcal, machista e misógina, sendo vista como propriedade do homem, que
deve dispor da vida feminina como bem queira, como puro objeto sexual e escrava
doméstica. A secular naturalização da violência contra a mulher em nossa
sociedade, herdada do mesmo mal milenar imposto pela velha ordem colonial pelos
conquistadores europeus é algo tão absurdo que milhares de vítimas sofrem
durante anos sem a menor condição de se defender. Haja vista o escândalo do
chamado João de Deus, latifundiário que controlava toda uma cidade no interior
de Goiás com seu poder econômico e sua manipulação da fé religiosa e desamparo
de pessoas fragilizadas pelo acometimento de graves enfermidades e seus
familiares. Servia-se destas situações para abusar sexualmente de centenas
(quem sabe se milhares) de mulheres, adolescentes e crianças por mais de 20
anos em seu “templo de cura”. Mas nada que as hierarquias da Igreja Católica (e
outras) não tenha praticado durante séculos, acobertando os estupradores e
abusadores por trás da mística de porta-vozes de Deus.
Camponesas participam da construção da Ponte da Aliança Operário-Camponesa – Paraterra, Varzelândia/MG |
O monopólio de
imprensa e variantes dos grupos feministas burgueses e pequeno-burgueses
demagogicamente apresentam essas notícias demonizando os homens que cometem
esses crimes como se fossem a fonte de todo mal, individualizando o problema e
apresentando como solução a simples punição dos executores de tais crimes.
Mesmo todas as leis que o Estado reacionário cria para supostamente defender as
mulheres, se voltam contra elas próprias e somente mascaram a solução do
problema. As mulheres do povo quando fazem denúncias são tradadas de forma
humilhante e, por vezes, seguem ainda mais vulneráveis e expostas a todo tipo
de agressão. Tudo isto é feito para esconder que a origem de todo esse cenário
apavorante é a sociedade dividida em classes que tem na opressão feminina uma
de suas principais bases de sustentação e que é o próprio sistema capitalista
que educa homens e mulheres incutindo em sua formação as concepções machistas e
patriarcais de forma aberta ou, às vezes mais, às vezes menos, dissimuladas.
Nós, mulheres do povo que sofremos todo tipo de abuso não devemos ter qualquer
ilusão quanto ao Estado reacionário. Devemos garantir nosso direito à
autodefesa e nos organizarmos de forma independente para nos proteger.
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Estudante e ativista do MFP presa em manifestação em Porto Velho/RO - setembro de 2018 |
Nesse mundo de
predomínio e dominação dos monopólios, o imperialismo de um punhado de
potências e superpotências opressoras de um lado e a imensa maioria de nações
oprimidas do outro, sociedades que através de todos os seus meios de propaganda
monopolizados pelos imperialistas e os burgueses e latifundiários lacaios seus
seguem tratando as mulheres como puro objeto sexual, reproduzindo as ideias de
superioridade masculina e rebaixando a condição de seres humanos das mulheres
do povo, limitando sua prática social. Nossas crianças e jovens são estimuladas
à erotização todo o tempo. A prostituição é estimulada de todas as formas e
tratada com glamour, haja vista a
rede globo com seus programas e novelas, vanguardeia o pós-modernismo que, ao
mesmo tempo em que trata as mulheres como objeto sexual, se autoproclama
guardiã de uma pseudoliberdade sexual, porque pura degeneração. Esse incentivo
faz com que dezenas de jovens centrem suas vidas na preocupação exacerbada
sobre seu próprio corpo. Não é à toa que milhares de mulheres são submetidas
diariamente a procedimentos estéticos para se enquadrarem como escravas de um
padrão de beleza ditado por este mesmo sistema, o qual fomentam negócios
fabulosos se utilizando do corpo da mulher como publicidade de todas suas
mercadorias e dele mesmo como tal.
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Encontro de mulheres Munduruku reafirma o caminho da luta /PA 2018 |
O feminismo burguês
e pequeno-burguês defende a união de todas as mulheres contra os homens e
propugna que todo o problema de opressão contra as mulheres é fruto da
sociedade patriarcal e seu machismo. Porém, esta é só uma derivação da base
econômica que tem na propriedade privada dos meios de produção e na exploração
das classes trabalhadoras sua sustentação. As mulheres das classes
exploradoras, compram o alívio da opressão sexual das mãos das mulheres
proletárias e camponesas, explorando-as na produção e como babás e empregadas
domésticas. Desta forma, as mulheres das classes dominantes são as únicas que
podem atingir condição similar à do homem de sua classe nos marcos do sistema
capitalista. Por isso mesmo é impossível uma união das mulheres
independentemente de sua classe social.
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Potesto contra o aumento de passagem São Paulo - janeiro 2019 |
Ademais de toda a
sorte de prejuízos à condição da mulher a cultura machista e o embrutecimento
resultante da pregação das igrejas que se arvoram em donas do corpo da mulher,
impondo um mito absurdo sobre a procriação condenam as mulheres à obrigação de
levar até o fim uma gravidez indesejada e sob quaisquer condições. Assim
milhões de mulheres em nosso país, pelas circunstâncias da pobreza e do
abandono, são obrigadas a fazer clandestinamente o aborto nas piores condições,
criminalizado que é a interrupção da gestação, condenadas ou à prisão ou às
sérias sequelas em sua saúde física e mental, quando não à morte. É o que
provam os estarrecedores números de óbitos, reconhecidos inclusive pelas
instituições do velho Estado. Tudo isto demonstra que longe de qualquer
ilusório “empoderamento”, o gigantesco contingente de mulheres trabalhadoras
não tem sequer o direito de decidir sobre seu próprio corpo e se acham
aprisionadas e cercadas por todos os lados e de todas as formas.

A origem e causa da
opressão feminina é a propriedade privada e divisão da sociedade em classes
antagônicas, que se baseia na exploração e opressão. Por esse motivo, somente a
erradicação completa desses fatores e sua substituição por novas relações de
produção, baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção social e de
distribuição da riqueza pode conduzir a emancipação das mulheres ao emancipar
politicamente a classe operária e demais massas trabalhadoras. Ou seja, a
revolução social do proletariado – composta por homens e mulheres – para o
estabelecimento do socialismo em transição para a sociedade sem classes, o
comunismo. Para pôr fim a toda opressão e violência contra as mulheres do povo
devemos fortalecer a luta revolucionária de classe para a destruição deste
sistema de exploração e opressão, construindo uma nova sociedade que passa pela
revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo.
Para ler mais sobre o tema, acesse: https://brasilmfp.blogspot.com/2018/03/boletim-do-mfp-marco-de-2018.html
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