terça-feira, 16 de março de 2021

Jornal MFP: Povos e nações oprimidos se levantam em resposta ao agravamento da crise geral do imperialismo

Situação política:

 Povos e nações oprimidos se levantam em resposta ao agravamento da crise geral do imperialismo

Do jornal do MFP - março 2021

A crise geral do imperialismo se aprofunda e potencializa a situação revolucionária e seu desenvolvimento desigual no mundo, gerando condições mais favoráveis para se impulsionar a nova Grande Onda da Revolução Proletária Mundial. Nos últimos anos os levantamentos de massas em todos os continentes contra a velha ordem, como rastilho de pólvora, se espalham rapidamente, ganham em organização e consciência respondendo medida por medida os ataques contra as massas trabalhadoras. No ano de 2020, o agravamento da crise geral de decomposição do imperialismo tomou a forma de genocídio geral, não com guerra mundial, mas com a pandemia do novo corona vírus, cujas medidas de seu combate conduziram a mais abrupta e dura recessão, destruição de forças produtivas, redução drástica dos salários com cortes de direitos e grande concentração e centralização de capital. Medidas de isolamento social impositivo, proibição de aglomerações e toque de recolher que, justificados pela pandemia, foram deliberadamente utilizados para aterrorizar as massas e impedir sua mobilização.

A doença se espalhou rapidamente por todo o planeta enquanto era utilizada como cavalo de batalha na luta entre as potências imperialistas, o que prova que não é a pandemia a causa da crise geral, ao contrário do que pregam os analistas burgueses, tomando a consequência pela causa. Às massas de todo o mundo, ao invés de demonstrar que estamos todos num mesmo barco, como dizem oportunistas e humanistas de plantão, mostrou o abismo que separa os trabalhadores de seus exploradores e algozes explodindo em revoltas por todo o mundo. O vírus jogou por terra a propaganda de que o capitalismo é o melhor dos mundos e de toda a geniosa “revolução tecnológica” e despiu a falsa democracia burguesa, mostrando sua verdadeira face de ditadura do capital financeiro monopolista, parasitário ou em decomposição, e mais do que em qualquer outro momento de sua história, agonizante.

A situação política internacional apresenta sinais de que o mundo está entrando em um novo período de revoluções da História universal. O sistema capitalista em sua fase derradeira, o imperialismo, apresenta todos os sintomas de um esgotamento da hegemonia ianque, a qual, nesse período, passará da situação de ser questionada à de intensificação da disputa econômica, comercial, política e militar, pela superpotência atômica Rússia e demais potências imperialistas, aumentado a divisão e o conflito entre as forças da reação, o que levará, inevitavelmente, a agudização ainda maior da contradição dessas com as nações e povos oprimidos, contradição principal no mundo hoje, pois é nesse terreno que ainda se dão os conflitos interimperialistas.

O novo governo ianque, mais alinhado aos planos do pentágono, em resposta a essa situação intensifica os operativos militares na África e no Oriente Médio, assim como estimula e concentra esforços na manutenção de sua dominação na América Latina, seu quintal e, cada vez mais, elo débil na cadeia da dominação imperialista mundial. Aplica o plano de militarização geral da região, agora mais precisamente na América do Sul, acelerando em cada país as tarefas permanentes de: 1) Impulsionar o capitalismo burocrático, o que permite a maior exploração dos trabalhadores, com menores salários e menos direitos, ao tempo que aumenta o saqueio das riquezas naturais, com a destruição do parque industrial e maior venda de commodities; 2) reestruturar o velho Estado burocrático, de modo que possam ganhar em legitimidade e força para executar suas políticas anti-povo e vende pátria, o que não pode ser alcançado senão com a centralização máxima do poder no executivo e; 3) conjurar o perigo de revolução, em que as constantes revoltas populares ameaçam transformar-se. Medidas que, ao aumentar a opressão e exploração das colônias e semicolônias, atiça o protesto popular que será a característica principal no novo período da História Mundial.

A situação revolucionária que se desenvolve, de forma desigual, em todo o mundo ganha força e enfrenta a ofensiva contrarrevolucionária de caráter geral em declínio, com o robustecimento de suas organizações de vanguarda que se apresentam aos chamados das massas e apontam a utilizar as lutas reivindicativas em função da luta pelo Poder. A lei da ação do imperialismo, como ensinou o Presidente Mao Tsetung, é causar distúrbios e fracassar, voltar a provocar distúrbios e fracassar novamente e assim até sua derrota definitiva, se confirma com fracassos atrás de fracassos e já se escuta notas mais altas de sua canção fúnebre. Às massas cuja lei, provada na história, constitui: lutar, fracassar, voltar a lutar e fracassar novamente assim até sua vitória definitiva, encontra terreno fértil para se mobilizarem, politizarem e organizarem-se no caminho da revolução. Grandes tormentas estão se aproximando, nós mulheres revolucionárias devemos marchar firmes na primeira linha dos combates, contra o vento e a maré, bradando que é necessário destruir esta velha ordem de exploração e opressão, proclamando a certeza no triunfo da revolução e atuando resolutas e intrépidas.

Ousar lutar, ousar vencer!


Derrotar a ofensiva reacionária, impulsionando o protesto popular

Reflexo da crise geral do imperialismo e potencializada por essa, aprofunda-se a crise geral da sociedade brasileira. A crise de decomposição do velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque é expressão da crise geral de sua base, o capitalismo burocrático. Estado burocrático-latifundiário que nasceu velho, pois sobre os podres alicerces do latifúndio, se erguendo na ignominiosa sina da subserviência, da submissão e dependência às potências imperialistas, particularmente a ianque no decorrer do século XX aos dias atuais. Como um castelo de areia não há como se manter e deteriora-se desde sua base econômica em crise geral de decomposição de seu capitalismo burocrático, com a primarização forçada da produção (desindustrialização e produção de commodities) com atrelamento dos preços ao mercado internacional e descontrole das contas públicas, apresenta-se como profunda crise econômica que é descarregada nas costas do povo, que sofre com o desemprego, falta das condições mais básicas de sobrevivência e arrochado por escorchantes impostos, o que se desenvolve em grave crise social. O sistema político de governo (chamado de três poderes) segue em sua agonia, desacreditado e putrefato de cima a baixo, movido a corrupção em todas suas instituições, é crise política e institucional em marcha acelerada. Desde 2013, com o Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) assumindo a direção da ofensiva contrarrevolucionária preventiva para impor nova reestruturação do velho Estado, impulsionamento do capitalismo burocrático e repressão às massas em luta, medidas ditadas e exigidas por seus amos ianques, também é crise moral e militar. Cenário tão grotesco que as lutas intestinas no governo entre o ACFA e Bolsonaro não passam de um sórdido capítulo no processo de putrefação do velho Estado.

A situação política nacional atual, em meio da pandemia em alta de uma mortandade atroz e de infame desfaçatez desse governo de criminosos, após vários capítulos de suas pugnas intestinas e Bolsonaro sob o fogo cerrado da direita tradicional, com Rede Globo à frente, resultou num acordo temporário entre o Presidente e o ACFA. Bolsonaro teve de engolir tal acordo dada sua frágil situação política frente a seu provável impeachment, os generais lhe impuseram, em troca da manutenção do seu mandato até o final de 2022, a retomada do “toma lá dá cá” que desmoraliza as bravatas bolsonaristas anticorrupção, para criar base política no Congresso, fazer a presidência de suas duas casas e adoção do plano econômico dos generais para deter a iminente explosão da crise social. Sem escolha, Bolsonaro passou a concentrar seus pronunciamentos numa estratégia de reeleição. A linha dos generais é intervir na política econômico-social sob qualquer custo. Reeditar o “auxílio emergencial” e as medidas antioperárias de “redução de jornadas com redução de salários” e “suspensão temporária de contratos”, bem como dar uma saída de contenção das altas dos preços de gasolina, diesel, álcool e gás de cozinha. A pressão dos caminhoneiros com ameaças de greve nacional obrigou Bolsonaro e os generais a demitir o presidente da Petrobras substituindo-o por mais um general reformado. O abalo gerado no mercado com tal intervenção ainda foi aproveitado para que especuladores com informação privilegiada das decisões da cúpula de governo operasse na Bolsa com ganho fabuloso de milhões de reais numa só manhã. Bolsonaro por questão eleitoral e os generais pela razão de ter em mãos a Petrobras como instrumento de manejo econômico que afeta toda a economia e a vida da população. Precisam e querem impor contra o “mercado” e toda a centro-direita, a política intervencionista na estatal mista e outros setores da economia.

O objetivo de ambas as forças, e pelo que pugnam entre si, é deter a hegemonia da direção do golpe contrarrevolucionário preventivo ao inevitável levantamento das massas, forma que tomou a exigida reestruturação do velho Estado. Por isso não se pode analisar a situação política tomando conjunturas, dado que somente analisando o desenvolvimento do processo, em suas etapas e fases pode-se compreender o que está se passando, desvelar os possíveis cenários brigando por impulsionar o protesto popular contra todas as forças da reação, desmascarar todas elas, bem como todo o oportunismo covarde escondido em casa e no aguardo da próxima farsa eleitoral.

Capítulo a capítulo, a contenda passou de diatribes eleitorais, à guerra judicial e dessas às batalhas palacianas, agora à disputa pela direção da economia. A gangue bolsonarista subserviente ao capital financeiro, com seu liberalismo tupiniquim, cujos mantras são: não intervenção do Estado na economia, teto de gastos e avanço das reformas antioperárias e vende-pátria vão na contramão das conveniências e dos apelos populistas de Bolsonaro que acena com benesses sociais (auxílio emergencial e controle dos preços), para não ver esgotar o já combalido apoio social que ainda possui. Com tais sinais o fascista bravateiro alinha seu discurso com os militares que veem a reestruturação econômica como importante ação contrainsurgente a fim de evitar a mobilização popular.

Acompanhando os fatos pode-se ver que a luta no seio dos grupos de poder das classes dominantes está distante de um fim e o acordo não passa de um momento de trégua no qual estudam e preparam os futuros embates. A Bolsonaro nada mais importa que levar adiante seu golpe bonapartista, com algum apoio popular e cindindo a base do ACFA, ao que a permanência no cargo se torna primordial, pois do contrário o que o aguarda é a condenação e a cadeia pela justiça do Estado que quer salvar da ruína. Por sua vez os generais somente veem como possibilidade de conjurar o colapso da economia e a consequente comoção social, com investimento massivo do Estado, em um plano econômico ofensivo de obras públicas e financiamento das empreiteiras da construção civil, assim reduzir imediatamente o desemprego e garantir renda mínima, com o auxílio emergencial, o que pulverizaria o teto de gasto do governo, aumentando a dívida pública e a intervenção diretamente nos preços, particularmente dos combustíveis. E tudo isso combinado com o máximo de repressão às massas em luta.

A grave crise social que assola as famílias brasileiras em meio ao avanço desenfreado do contágio do novo corona vírus em nada comove os agentes da reação no governo. Pelo contrário os mais de 260 mil brasileiros mortos provam o caráter de lacaios, sabujos do imperialismo, de algoz de seu próprio povo e de genocidas impenitentes dessa gente, que vê apenas cifras em seus empreendimentos corruptos ou fatalidades frente ao objetivo maior, que são suas próprias aspirações. A atitude do governo Bolsonaro/Generais, diz por si só, é um projetopolítico deliberado no qual as mortes são efeitos colaterais e cujas declarações e ações estão expressas na atuação desses anticomunistas e fanáticos fascistas que repetem seus clichês, desdizendo o dito, negando o feito.

São crimes dolosos contra o povo e a nação! Como não chamar de criminosa a propaganda obscurantista de que era apenas uma gripezinha? Ou contra o isolamento social e a defesa anticientífica da cloroquina e do tratamento precoce, que tanta confusão fizeram na cabeça das pessoas. Pode-se ainda citar o ataque às medidas de contenção à contaminação, a sabotagem às vacinas e o caso mais macabro, o genocídio anunciado de centenas de brasileiros por falta de oxigênio no Amazonas. Confusão que foi corroborada pela propaganda extenuante do monopólio de imprensa, vanguardeada pela Globo, que viu nas canalhadas do governo no trato à pandemia, munição para atacá-lo, enquanto faz apologia mercantiflera do ministro Paulo Guedes e as medidas covardes contra os trabalhadores, cumprindo assim o papel de agência terrorista incutindo medo e paralisia, culpando sistematicamente as massas por circularem e diariamente servindo-se de seus “famosos” a propagandear o isolamento em casa voltando-se para seu eu. Nos últimos meses com o início da vacinação tecem falsas expectativas, exibindo dados de modo a confundir e insuflar esperanças, quando a campanha nacional de vacinação não passa de um teatro burlesco que no ritmo que segue será mais um capítulo estapafúrdio no genocídio nacional.

Os manejos da reação utilizando-se da situação criada pela pandemia, somado ao imobilismo dos oportunistas, que ontem se diziam defensores dos trabalhadores e frente a pandemia decretaram o fim a luta de classes, jogou para desmobilizar as crescentes manifestações que já se avolumavam contra o governo e que logo se tornariam grandes levantamentos. A relativa dispersão das massas em razão das restrições e dificuldades frente a carestia e a inevitável corrida cotidiana e individual atrás do pão de cada dia, sobrando apenas a esperança de que alguém fará alguma coisa, preparam ao lado das revoltas localizadas e atomizadas que não cessam as explosões em gigantescas ondas da fúria popular quando a corda arrebentar de vez. É imprescindível que as condições de trabalho sejam normalizadas, que as crianças e jovens retomem às aulas e que as massas de trabalhadores e trabalhadoras que não podem parar possam trabalhar com segurança, e para isso devemos lutar pela vacinação dos trabalhadores. Vacina para o povo já! Essa é a principal palavra de ordem agora, mobilizar a partir de cada fábrica, canteiro de obra ou empresa, de cada escola ou faculdade, dos bairros populares, vilas e favelas, dos vilarejos rurais e nas zonas camponesas.

A irrupção já se iniciou pela luta camponesa, pois é a questão agrária o elo fraco e contradição principal no desenvolvimento da luta de classes no país. O ano de 2020 foi marcado por grandes movimentações do Exército Brasileiro na Amazônia para combater o movimento camponês, todas mimetizadas de operações contra o desmatamento ou contra as queimadas. Prova disso é que o ano bateu todos os recordes de desmatamento e queimadas em meio a tais operativos. O que realmente queriam, e isso ficou claro em Rondônia, era preparar suas incursões contra o movimento camponês combativo, que mesmo enfrentando os maiores desafios robusteceu seus estandartes e ergueu mais alto a bandeira da luta pela terra, cumprindo a promessa de cortar toda a ex-Fazenda Santa Elina encharcada de sangue camponês. Os camponeses no acampamento Tiago dos Santos desvelaram com sua luta toda maquinação e preparação de um massacre por parte das forças repressivas do velho Estado, que mesmo apadrinhadas por Bolsonaro, não pôde ser levado a termo por ter sido aplastada pela combatividade e resistência ativa dos camponeses e pela mobilização dos setores democráticos.

A luta pela terra seguirá crescendo por todo o país e puxará consigo o levantamento de todo o povo. Mostrando que as pugnas dos grupos de poder das classes dominantes, sejam no governo ou entre as instituições, são pugnas internas na colina inimiga e não há nenhum interesse do povo nelas. A verdadeira luta dos explorados e oprimidos é por criar as instituições que sirvam a seus interesses e para isso devem destruir toda velha ordem levando adiante a revolução de Nova Democracia, cujo conteúdo é a revolução agrária e anti-imperialista, contra a velha ordem tendente ao fascismo.

A contradição principal de nossa sociedade caduca, que expressa a contradição massas/governo, massas/semifeudalidade, campesinato/latifundiários, é entre a tendência para o fascismo do governo do ACFA e de Bolsonaro, ambos serviçais do imperialismo ianque e a Nova Democracia, a revolução de nova democracia com a destruição do velho Estado e construção de uma verdadeira República Popular Democrática. Tarefa atrasada e pendente sem a qual nem sequer a formação nacional pode ser completada. Até hoje, secularmente no país tem predominado o caminho burocrático das classes de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque, caminho semicolonial/semifeudal. O caminho democrático da libertação e progresso do povo e da nação é o da revolução da frente única revolucionária do proletariado, camponeses, pequena e média burguesias, baseada na aliança operário-camponesa e sob a hegemonia do proletariado através de seu partido revolucionário. A primeira tarefa é a destruição do latifúndio com a entrega das terras aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, para logo seguir a nacionalização e industrialização da exploração das riquezas naturais do país, confiscando as propriedades do imperialismo e todo o capital burocrático da grande burguesia lacaia, para colocar tudo a serviço do desenvolvimento de uma nova economia, autocentrada e autossustentada, baseada nos interesses do povo e da soberania nacional.

O povo brasileiro já está farto de tanta mentira, enganação e sofrimento. Inevitavelmente, a rebelião popular, no campo e cidade será cada vez mais explosiva e violenta. Só com a luta organizada as massas podem defender e alcançar seus interesses e aspirações. Ninguém pode mais engolir todas as demagogias dos grupos de poder que sustentam esse velho Estado, em constante disputa, sejam com a cara aberta de fascistas ou fantasiados de humanistas. O povo já provou o gosto amargo da passagem no poder de todos esses grupos, siglas e partidos oficiais, inclusive os militares nas últimas décadas e comprovou que nenhum deles tem interesse ou compromisso com o povo trabalhador. Não é à toa o rechaço às eleições e o boicote eleitoral cada vez mais contundente. Só a força e organização do povo pode criar um Novo Brasil com uma verdadeira e Nova Democracia.

O povo não quer migalhas, quer dignidade, quer terra, pão e uma verdadeira e Nova Democracia! É por isso que, uma vez mais, afirmamos Nem Bolsonaro, nem Mourão, nem Congresso e Judiciário corruptos! Fora Forças Armadas Reacionárias! Viva a Revolução de Nova Democracia!


Nem Bolsonaro, nem Mourão, nem Congresso e Judiciário corruptos! Fora Forças Armadas Reacionárias! Viva a Revolução de Nova Democracia!

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