quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Companheira Remis, Presente na luta!

Companheira Remis, Presente na luta!

A seguir, republicamos nota do MFP e LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia de dezembro de 2017, por ocasião do feminicídio contra nossa companheira Remis Carla. 



Nota de consternação e repúdio pelo assassinato da companheira Remís Carla

Nós, companheiras e companheiros da LCP - Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia e do MFP – Movimento Feminino Popular, com muita indignação e ódio de classe, lamentamos profundamente a morte da companheira Remís e desde o Norte de Minas enviamos nossos sentimentos de pesar aos familiares, companheiras e companheiros de luta desta jovem lutadora do povo e a nossa palavra de certeza e firmeza na luta e de que a vitória do povo, especialmente a emancipação das mulheres, brilhará luminosa e incandescente um dia como o sol!
Repudiamos veementemente a atitude covarde de seu assassino e ex-namorado Paulo César e especialmente o que esta representa: continuidade e agravamento da violência particularmente brutal contra as mulheres pobres, por sua condição de classe e também como expressão do ódio dessa sociedade patriarcal que se volta de modo sistemático e por todas as formas contra as mulheres, mais ainda se estas desafiam levantar sua voz, principalmente na luta contra este sistema de exploração e seus valores reacionários de que a mulher deve ser submissa e serviçal do homem. Como não bastasse toda esta cultura e costumes apodrecidos já no momento de seu surgimento baseadas na famigerada e absurda concepção de uma suposta natureza deficitária da mulher, através de todos os meios de reprodução deste sistema de exploração e opressão fazer valer tais valores retrógrados, arcaicos e medievais que impõe à mulher, especialmente as mulheres do povo, em pleno século XXI, de modo encoberto ou abertamente toda sorte de prejuízos, inferioridade, incapacidade, fragilidade e até mesmo novas formas de justificar a dupla jornada e a obrigação exclusiva da mulher de cuidar da casa, da infância, do marido, da família, dos enfermos, enfim a escravidão doméstica mesmo para aquelas que trabalham fora.

Compilação dos Editoriais do Jornal A Nova Democracia do ano de 2019

Publicamos a seguir uma compilação dos editoriais do Jornal A Nova Democracia de 2019 por ser um importante material de análise da luta de classes para o estudo e formação das companheiras.






nº 229



Uma chispa pode incendiar a pradaria 

Redação de AND 


É preciso entender muito bem a questão central da crise política no país. São duas situações em desenvolvimento. Uma é a do “governo aparente” de Bolsonaro e o “de fato” do governo militar secreto dos generais. Após a grave crise palaciana que durou de abril a setembro, e tendo ambos os grupos contendentes (a extrema-direita de Bolsonaro e a direita militar do Alto Comando das Forças Armadas – ACFA) se desgastado, por uma questão de “salvação do barco” chegaram a um acordo para abrandar a crise e fazer recuperar a economia. Acordo este frágil e temporário, que não pode se manter por muito tempo, e quando menos possa se esperar, voltarão os bate-bocas e disputas ferozes.
A outra situação da crise é a da, ora latente, e por isso inevitável, rebelião popular que todo dia e em todo país, no campo e cidade, lança suas chispas no ar. É a resistência camponesa pela conquista da terra, a luta indígena pela demarcação de seus territórios roubados pelo latifúndio; é a luta dos estudantes e professores em defesa da educação pública e gratuita, a luta dos trabalhadores em defesa de seus direitos pisoteados e por moradias; a luta da juventude pobre por liberdade, trabalho e contra a sanha da repressão policial. É a acumulação crescente de material inflamável feita de indignação, ressentimentos e ira represados.

Reunião do MFP em BH/MG faz balanço das lutas de 2019


Reunião do MFP em BH/MG faz balanço das lutas de 2019






O MFP - Movimento Feminino Popular em Belo Horizonte/MG realizou uma reunião de confraternização e balanço das lutas de 2019. As companheiras estiveram presentes com otimismo revolucionário e reafirmaram seu compromisso e disposição de trilhar o caminho da luta revolucionária, reafirmando que só a Revolução Proletária pode conduzir à Emancipação Feminina. Definiram calendário de reuniões, atividades de formação política e preparação para as celebrações do 08 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Levantaram com entusiasmos as palavras de ordem:


TODO O APOIO ÀS MÃES DE PARAISÓPOLIS! PM ASSASSINA, O POVO VAI COBRAR!

VALE ASSASSINA E TERRORISTA! INDUSTRIALIZAÇÃO E NACIONALIZAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS!

NEM BOLSONARO, NEM MOURÃO, NEM CONGRESSO DE CORRUPTOS, FORA FORÇAS ARMADAS REACIONÁRIAS! VIVA A REVOLUÇÃO DE NOVA DEMOCRACIA!

DESPERTAR A FÚRIA REVOLUCIONÁRIA DA MULHER!

VIVA O MOVIMENTO FEMININO POPULAR!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Delegada Juliana Lopes Bussacos da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher arquiva inquérito contra Neymar


No último dia 29 de julho a Delegada Juliana Lopes Bussacos, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo, responsável pelos dois meses de investigação em que Neymar era acusado de agressão e estupro por parte de Najila Trindade, arquivou o inquérito contra o jogador. Ao mesmo tempo, Najila passa a ser investigada por denunciação caluniosa e tentativa de extorsão.
Já denunciávamos esse provável desfecho em nosso artigo recente: "Caso Neymar: Basta um episódio envolvendo um ricaço para fazer cair a máscara 'feminista' de hipócritas". Mais uma vez as leis deste país demonstram que só existem para defender ricos e poderosos. Já denunciávamos que Neymar sairia ileso, mesmo confessando agressão. Cai por terra todas as máscaras e demagogias daqueles que dizem defender os direitos das mulheres, quando o que interessa para eles é manter esta sociedade de exploração e opressão com a opressão das mulheres como parte de sua base.

A seguir reproduzimos novamente o artigo:


Caso Neymar: Basta um episódio envolvendo um ricaço
para fazer cair a máscara "feminista" de hipócritas*

“As mulheres sustentam sobre seus ombros a metade do céu, e devem conquistá-la.”

Presidente Mao Tsetung
O episódio que recentemente veio a público, rodeado do sensacionalismo costumeiro, envolvendo a acusação da modelo brasileira Najila Trindade, de ter sido estuprada pelo milionário e famoso jogador de futebol, também brasileiro, Neymar, serviu uma vez mais, para revelar o arraigamento da mentalidade atrasada, patriarcal e machista na sociedade brasileira. Mais que isto, pôs a nu de como o que pesa é a natureza de classe no tratamento dos fatos, quando estão envolvidos ricos e poderosos. De um lado, quando os “suspeitos” são pretos e pobres são condenados até que se prove o contrário, de outro, quando os acusados são ricos e poderosos são tratados como meninos inocentes, vítimas das suas vítimas. O episódio também faz caco das poses e arroubos com que a Globo, que invade os lares brasileiros com suas programações com cenas apelativas de exposição da intimidade pessoal, com vistas à maior audiência, travestidas de defesa da “liberdade” sexual e de comportamento, particularmente se utilizando da exposição do corpo e sexualidade da mulher. 
O fato de Bolsonaro ter dado a este episódio quase o status de problema de Estado é revelador de como este caso explicita toda a misoginia estrutural de nossa velha sociedade semicolonial e semifeudal. A verdade é que todos os demônios e preconceitos mais rasteiros sobre o papel da mulher vieram à tona a partir deste caso. Lamentável é que muitos setores ditos progressistas, e mesmo ativos representantes do “feminismo”, tenham capitulado deste enfrentamento sério e necessário quando ele se apresenta às claras.
Najila tem sido execrada e não espantará se, de vítima, daqui a pouco seja ela a sentar no banco dos réus. Os monopólios de imprensa já fizeram sua parte, encarregando-se de inverter os papéis de acusador e acusado. Sua cobertura, mesmo aquelas mais “sutis”, apresenta a mulher como uma “aproveitadora” e Neymar, coitadinho, como um menino ingênuo. Afinal, não é natural que um playboy milionário possa usar as pessoas a seu bel prazer? Que mal há em que um ricaço, que ostenta mansões, carrões, aviões, possa igualmente comprar, usar e ostentar as mulheres como bem entenda, consintam elas ou não? É esta visão de mundo grosseira, tacanha, prostituída, que está por trás de toda a enternecida defesa do “menino Neymar” que tem prevalecido no senso comum.
Ele afirma que não a agrediu e não a estuprou. Mas o fato inconteste é que as marcas da agressão estão registradas em fotografias que foram publicadas por ele mesmo, em mais uma demonstração de desrespeito, ao expor o corpo de Najila nas redes sociais. Em sua defesa e não podendo negar os fatos, Neymar chega ao absurdo de afirmar que a agrediu porque ela pediu. É, portanto, um réu confesso, certo da sua impunidade uma vez que as “leis” – inclusive as que supostamente protegem as mulheres – não chegam até os condomínios fechados da burguesia.
Na verdade, o fundo de todo esse discurso machista e misógino, reproduzido diuturnamente pelos monopólios de comunicação, pelas igrejas e outras estruturas ideológicas do velho Estado reacionário é expressão do pensamento reacionário e decadente das classes dominantes em nosso país, a grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo (principalmente ianque), revelando a pútrida ideologia dessa velha sociedade patriarcal, semifeudal e semicolonial. Para essa sociedade o valor da mulher é medido por padrões de beleza e sensualidade que correspondam à sua utilidade enquanto mercadoria e não pela condição social da imensa maioria delas, ou seja, trabalhadoras que são, seres humanos completos com capacidades produtiva e científica. Toda essa cultura reacionária da opressão feminina serve para sustentar a base dessa sociedade de exploração. Historicamente os sistemas de exploração e opressão relegaram as mulheres do povo às funções mais secundárias na sociedade, a de meras reprodutoras exaltando-as como rainhas do lar para que se resignassem à condição da escravidão doméstica. Tudo para reduzir ao máximo sua prática social e assim aplastar sua participação na luta de classe, separando do proletariado revolucionário a metade do seu exército.
No capitalismo cabe às mulheres do povo a extenuante tarefa do trabalho doméstico, trabalho invisível e embrutecedor que garantem a reprodução da força de trabalho para as classes exploradoras na forma de trabalho gratuito. Com isto os salários podem ser mantidos em níveis baixíssimos, o patrão não precisa desembolsar nada para garantir que seu empregado se apresente no trabalho diariamente, alimentado, vestido e cuidado todos os dias. Ele explora a classe de duas formas: na fábrica, com pouca paga e no lar, com esse trabalho não pago da mulher. Quando são inseridas na produção social é para aumentar a exploração da classe impondo a elas uma dupla jornada.
Em propagandas oficiais, o próprio monopólio de imprensa, em campanhas contra a violência sobre a mulher, afirma que, em casos de estupro a palavra da vítima basta para abrir processo. Porque então este mesmo monopólio, com a Rede Globo à cabeça, faz sensacionalismo criando um ambiente de ataque e condenação à vítima? Revela o fundo hipócrita de seu discurso de “arautos dos direitos das mulheres e das liberdades sexuais”.
Esses mesmos órgãos do monopólio de comunicação que se apresentam como vanguarda na “luta das mulheres pela liberalização sexual” são os maiores promotores da utilização do corpo feminino como objeto sexual e apologistas da prostituição. São, no máximo, a vanguarda do atraso, defendendo com novas roupagens a velha tara burguesa de converter a mulher em mero objeto de consumo, tanto no lar como na rua. As novelas cumprem um papel ideológico de fortalecimento do machismo, naturalizando a pornografia e a prostituição, alimentando esse mercado extremamente lucrativo, para que as meninas, desde a mais tenra idade, acreditem que seu valor está na exposição de sua sexualidade, estimulando um comportamento sexual desregrado e degenerado, como se isso fosse a “libertação” da mulher. Chegam a defender a prostituição como uma “profissão digna como qualquer outra”, quando é, na verdade, a maior expressão do rebaixamento da condição humana, tanto de quem se prostitui quanto de quem se utiliza da prostituição. Em seus programas de “entretenimento” glamorizam a prostituição como se as mulheres que vivem nesta condição não sofressem os piores tipos de humilhações e violências. Promovem e fortalecem diuturnamente a velha cultura de subjugação feminina, enquanto demagogicamente fazem campanhas “contra a violência sobre a mulher”. Quando fazem denúncias dos inúmeros casos diários de feminicídio, naturalizam o problema como se fosse uma questão de desvio de conduta moral ou de personalidade individual dos agressores e escondem que a base de todo esse repugnante cenário é a manutenção dessa sociedade de exploração e opressão. Contudo, o final feliz das novelas costuma ser sempre igual: para a mulher “regenerada”, o altar e o casamento, a redenção nos braços do príncipe encantado.
O caso Neymar é mais uma expressão de como a mulher é tratada nessa sociedade, vítima de todo o tipo de violência, exploração e opressão. São mais de 1300 estupros praticados por dia no nosso país segundo dados oficiais, e esses números elevadíssimos seguramente ainda são subestimados. Na verdade, além desses horrores com que convivemos diariamente, a maior parte dos estupros acontecem sobre os brancos lençóis dos ditos bem-casados, abençoados pelas igrejas que lhes impõem seus caducos dogmas e segundo os valores morais hipócritas, certificados pelos cartórios dessa velha sociedade. Os crimes de estupro são muito difíceis de ser comprovados tanto por geralmente acontecem sem testemunhas, quanto por ser acobertado pela cultura machista que justifica as maiores barbaridades no comportamento masculino. Influenciados pela ideologia machista, os homens que praticam o estupro pensam que têm o direito de tomar a mulher pela força, quando ela não quer praticar sexo ou não quer fazer da forma como o homem quer impor. É direito da mulher interromper uma relação sexual se assim é o seu desejo. Na maioria das vezes as mulheres se sujeitam a fazer o que não desejam, o que as faz sentir sujas, por uma série de constrangimentos que lhes é imposta como o que é normal e aceitável nessa sociedade. O fetiche das “fantasias sexuais” e da exacerbada erotização de tudo promovido pela indústria pornográfica, que cada vez mais inunda os meios de comunicação, publicações e entretenimentos, estimula todo tipo de degeneração humana e serve à manutenção da mulher como puro objeto, desprovida de desejo, sentimento e dignidade próprios e apontada como ser inferior. Difunde-se o mito de que o estuprador é o homem pobre e negro, saído de um matagal ermo, quando a maior parte dos casos de estupro e assédio ocorre dentro de casa ou no ambiente de trabalho. Sem falar das incursões policiais nas favelas, que deixam um rastro não apenas de jovens assassinados, mas também, muito comumente, de mulheres violadas. Sobre isso, o monopólio de imprensa e os arautos da “moralidade cristã” guardam um silêncio cúmplice e criminoso.
Todo o feminismo burguês e pequeno-burguês, supostamente radical, converge para esse mesmo tipo de pensamento e apontam como suposta “libertação sexual” da mulher o direito dela expor seu corpo e usar sua sexualidade como “empoderamento” não importando forma, a qualquer preço e a qualquer custo. Como se a emancipação da mulher fosse a “conquista” do direito de fazer todas as baixezas tidas por “coisas de homem”. Ou seja, estimulam que homens e mulheres desenvolvam relacionamentos efêmeros, baseados exclusivamente em sexo, desligados de outros aspectos da vida social, particularmente da luta de classes. Isto não é nem de longe o que mulheres e homens podem construir juntos elevando sua condição humana. Para contrapor essa velha cultura de subjugação da mulher é necessário destruir as bases sobre as quais ela se sustenta, a sociedade de exploração e opressão de classe e a propriedade privada. Ao mesmo tempo em que destruímos esta velha sociedade do individualismo e egoísmo, construímos uma nova, coletivista, com novas bases sociais, em que a mulher é considerada um ser humano completo, inserida na prática social ombro a ombro com o homem. Junto com essa nova sociedade se erguerá uma Nova Cultura em que as relações entre homens e mulheres serão de tipo mais elevada e profunda, baseadas em companheirismo e respeito.
Para não julgar o caso Neymar pelas aparências, é necessário refletir sobre todas essas questões, baseando-nos numa análise de classes da sociedade. Neymar é considerado um ídolo de uma geração inteira de jovens. Quão triste e miserável é uma ordem em que os exemplos das futuras gerações não são legítimos membros do povo, seus trabalhadores e pensadores verdadeiros, mas projetos de jogador como este tal. De fato, neste sentido, Neymar não passa de um moleque: não completou sua formação como atleta, menos ainda como ser humano. É, ele também, um lúmpen dos tantos que uma sociedade em decomposição como a nossa cria diariamente. O que não espanta, se pensarmos que é também um lúmpen miliciano que se senta hoje na cadeira de presidente desta republiqueta. Seu comportamento machista reforça nesses mesmos jovens a concepção de que os homens devem usar as mulheres como objeto, de forma descartável, como uma propriedade. O discurso de que “se ela apanha, é porque fez por merecer” ou “porque gosta”, é parte dessa mesma concepção. É a mesma lógica que leva à prática do feminicídio, realidade cada vez mais grave em nosso país e em todo o mundo, hoje, mais do que nunca em crescente desordem, afundado na crise geral de decomposição do capital, o imperialismo.
O Movimento Feminino Popular repudia toda essa velha ordem hipócrita e reafirma a luta pela construção de uma sociedade que ponha fim a toda repugnante ordem de opressão feminina. A condição para transformar essa realidade que subjuga a mulher do povo diariamente só pode se dar através da destruição da base material que a sustenta. Nos países semicoloniais/semifeudais como o Brasil, bem como a imensa maioria dos países no mundo, esse caminho passa pelas Revoluções de Nova Democracia ininterruptas ao Socialismo.
A origem e a causa da opressão feminina é a propriedade privada, bem como o patriarcado e a divisão da sociedade em classes antagônicas dela derivadas, que serve e reproduz a exploração e opressão do homem pelo homem. Somente com a erradicação completa desses fatores e sua substituição por novas relações de produção, baseadas na propriedade social dos meios de produção e de distribuição da riqueza, pode conduzir a emancipação das mulheres ao emancipar politicamente a classe operária e demais classes trabalhadoras. Ou seja, a revolução social do proletariado – composta de homens e mulheres – para o estabelecimento do socialismo em transição para a sociedade sem classes, o comunismo.


Despertar a fúria revolucionária da mulher!
MFP – Movimento Feminino Popular

Junho – 2019

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Vale Assassina e Terrorista - Comitê de Apoio e Solidariedade aos Atingidos pelos Crimes da Vale:

Publicamos a seguir panfleto de denúncia do Comitê de Apoio e Solidariedade aos Atingidos pelos Crimes da Vale:

Vale assassina e terrorista!

Organizar o apoio e solidariedade aos atingidos pelos crimes da Vale

✔ A Vale é assassina. A Vale sempre soube dos riscos de rompimento das barragens e nada fez para impedir as centenas de mortes em Brumadinho e Bento Rodrigues/Mariana. Por isso mesmo é crime hediondo e premeditado. Além do risco de rompimento das barragens em Minas Gerais, Pará e em várias partes do Brasil seus trens de carregamento de minério deixam mortos e mutilados por onde passam diariamente.
✔ A Vale é terrorista. A população de várias cidades com barragens de rejeitos da Vale vive diariamente o terror promovido pela mineradora, que, sem nenhuma intenção de desativar as barragens de rejeitos, aciona sirenes no meio da madrugada, expulsa os moradores de suas casas, desestrutura completamente a vida do povo e não dá nenhuma assistência digna.
✔ As barragens de rejeitos e toda a atividade mineradora predatória são bombas montadas e crimes premeditados, anunciados e continuados contra nosso povo e nação. Não só o seu rompimento, mas sua existência mesma, são verdadeiros atentados e ações terroristas contra nosso povo e o meio natural.
✔ A Vale destrói o meio natural de nossa nação. O rompimento das barragens em Bento Rodrigues/Mariana e Brumadinho em Minas Gerais trouxeram além de centenas de mortes, perdas irreparáveis para a população e o meio natural. A Vale destruiu nossos rios e a economia de milhares de famílias camponesas, indígenas e quilombolas. Centenas de quilômetros da bacia do Rio Doce e Rio Paraopeba, afluente do Rio São Francisco, estão condenadas pelos rejeitos, levando milhares de camponeses, pescadores, ribeirinhos, indígenas e quilombolas à falência total, sem meios para trabalharem e produzirem.
✔ A Vale é chantagista. A vale chantageia a população dizendo que sua presença é garantia de emprego e desenvolvimento quando, na verdade, sua atividade predatória impede o desenvolvimento industrial e nacional do povo brasileiro.
✔ A Vale atua como feudo. Onde desenvolve sua atividade exploratória, controla a vida das pessoas, manda nos prefeitos, vereadores, forças policiais e impõe seu poder em todos os aspectos da vida das populações locais.
✔ A Vale faz perseguição política. A Vale persegue aqueles que lutam contra a sua exploração utilizando, além das leis que garantem sua impunidade, verdadeiros bandos armados para intimidar a população das regiões de mineração.
✔ A Vale é um monopólio, explora as riquezas de nossa nação em benefício exclusivo do capital estrangeiro. A Vale, que foi uma empresa estatal criada no ano de 1942, sempre serviu ao capital estrangeiro e na época de FHC foi vendida a preço de banana. Devasta nosso país, suga o sangue e o suor do povo trabalhador, extraindo toneladas de nossas riquezas naturais diariamente para garantir seus superlucros que são todos levados para fora do Brasil, deixando pobreza para o nosso povo e rastros de destruição, impedindo o desenvolvimento industrial e nacional de nosso país.
✔ A Vale é corrupta. Para garantir seus negócios a Vale utiliza amplamente seu poderio econômico e corrupção ditando leis aos órgãos do poder do Estado, no judiciário, executivo e legislativo, garantindo sua livre atuação no território brasileiro com impunidade descarada.
✔A Vale quer se manter impune e vencer os atingidos pelo cansaço, quer que os atingidos e todo o povo brasileiro esqueçam seus crimes. Centenas de famílias que perderam tudo com o rompimento das barragens seguem sem reparação. A Vale quer derrotar os atingidos pelo cansaço para que desistam de processos contra a mineradora. Com suas propostas de acordo, que seguirão por anos na justiça, querem dar um cala boca nos atingidos e confundir a opinião pública. Para isso contam com a propaganda mentirosa dos monopólios de comunicação.
O Comitê de Apoio e Solidariedade aos atingidos pelos crimes da Vale se organiza para não permitir que os crimes da Vale e grandes mineradoras sejam esquecidos. Organizamos o apoio e solidariedade através de divulgação de cartazes, debates, notícias e ações concretas em favor dos atingidos. Organize você também um comitê na sua escola, bairro ou local de trabalho.
Abaixo o roubo de nossas riquezas!
Nacionalização e industrialização dos recursos naturais!
Prisão para toda a diretoria da Vale e seus cúmplices nos governos!
Pelo fim imediato de todas barragens de rejeitos!
Justiça para os assassinados, mutilados, familiares e atingidos pela Vale/BHP Billiton/Samarco em Mariana e Brumadinho!


Contato: coasabrumadinho@gmail.com 

Comitê de Apoio e Solidariedade aos atingidos pelos crimes da Vale

Baixe aqui o Panfleto em PDF

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Caso Neymar: Basta um episódio envolvendo um ricaço para fazer cair a máscara feminista de hipócritas


Caso Neymar: Basta um episódio envolvendo um ricaço
para fazer cair a máscara "feminista" de hipócritas*


“As mulheres sustentam sobre seus ombros a metade do céu, e devem conquistá-lo.”

Presidente Mao Tsetung
O episódio que recentemente veio a público, rodeado do sensacionalismo costumeiro, envolvendo a acusação da modelo brasileira Najila Trindade, de ter sido estuprada pelo milionário e famoso jogador de futebol, também brasileiro, Neymar, serviu uma vez mais, para revelar o arraigamento da mentalidade atrasada, patriarcal e machista na sociedade brasileira. Mais que isto, pôs a nu de como o que pesa é a natureza de classe no tratamento dos fatos, quando estão envolvidos ricos e poderosos. De um lado, quando os “suspeitos” são pretos e pobres são condenados até que se prove o contrário, de outro, quando os acusados são ricos e poderosos são tratados como meninos inocentes, vítimas das suas vítimas. O episódio também faz caco das poses e arroubos com que a Globo, que invade os lares brasileiros com suas programações com cenas apelativas de exposição da intimidade pessoal, com vistas à maior audiência, travestidas de defesa da “liberdade” sexual e de comportamento, particularmente se utilizando da exposição do corpo e sexualidade da mulher. 

O fato de Bolsonaro ter dado a este episódio quase o status de problema de Estado é revelador de como este caso explicita toda a misoginia estrutural de nossa velha sociedade semicolonial e semifeudal. A verdade é que todos os demônios e preconceitos mais rasteiros sobre o papel da mulher vieram à tona a partir deste caso. Lamentável é que muitos setores ditos progressistas, e mesmo ativos representantes do “feminismo”, tenham capitulado deste enfrentamento sério e necessário quando ele se apresenta às claras.

Najila tem sido execrada e não espantará se, de vítima, daqui a pouco seja ela a sentar no banco dos réus. Os monopólios de imprensa já fizeram sua parte, encarregando-se de inverter os papéis de acusador e acusado. Sua cobertura, mesmo aquelas mais “sutis”, apresenta a mulher como uma “aproveitadora” e Neymar, coitadinho, como um menino ingênuo. Afinal, não é natural que um playboy milionário possa usar as pessoas a seu bel prazer? Que mal há em que um ricaço, que ostenta mansões, carrões, aviões, possa igualmente comprar, usar e ostentar as mulheres como bem entenda, consintam elas ou não? É esta visão de mundo grosseira, tacanha, prostituída, que está por trás de toda a enternecida defesa do “menino Neymar” que tem prevalecido no senso comum.

Ele afirma que não a agrediu e não a estuprou. Mas o fato inconteste é que as marcas da agressão estão registradas em fotografias que foram publicadas por ele mesmo, em mais uma demonstração de desrespeito, ao expor o corpo de Najila nas redes sociais. Em sua defesa e não podendo negar os fatos, Neymar chega ao absurdo de afirmar que a agrediu porque ela pediu. É, portanto, um réu confesso, certo da sua impunidade uma vez que as “leis” – inclusive as que supostamente protegem as mulheres – não chegam até os condomínios fechados da burguesia.

Na verdade, o fundo de todo esse discurso machista e misógino, reproduzido diuturnamente pelos monopólios de comunicação, pelas igrejas e outras estruturas ideológicas do velho Estado reacionário é expressão do pensamento reacionário e decadente das classes dominantes em nosso país, a grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo (principalmente ianque), revelando a pútrida ideologia dessa velha sociedade patriarcal, semifeudal e semicolonial. Para essa sociedade o valor da mulher é medido por padrões de beleza e sensualidade que correspondam à sua utilidade enquanto mercadoria e não pela condição social da imensa maioria delas, ou seja, trabalhadoras que são, seres humanos completos com capacidades produtiva e científica. Toda essa cultura reacionária da opressão feminina serve para sustentar a base dessa sociedade de exploração. Historicamente os sistemas de exploração e opressão relegaram as mulheres do povo às funções mais secundárias na sociedade, a de meras reprodutoras exaltando-as como rainhas do lar para que se resignassem à condição da escravidão doméstica. Tudo para reduzir ao máximo sua prática social e assim aplastar sua participação na luta de classe, separando do proletariado revolucionário a metade do seu exército.

No capitalismo cabe às mulheres do povo a extenuante tarefa do trabalho doméstico, trabalho invisível e embrutecedor que garantem a reprodução da força de trabalho para as classes exploradoras na forma de trabalho gratuito. Com isto os salários podem ser mantidos em níveis baixíssimos, o patrão não precisa desembolsar nada para garantir que seu empregado se apresente no trabalho diariamente, alimentado, vestido e cuidado todos os dias. Ele explora a classe de duas formas: na fábrica, com pouca paga e no lar, com esse trabalho não pago da mulher. Quando são inseridas na produção social é para aumentar a exploração da classe impondo a elas uma dupla jornada.

Em propagandas oficiais, o próprio monopólio de imprensa, em campanhas contra a violência sobre a mulher, afirma que, em casos de estupro a palavra da vítima basta para abrir processo. Porque então este mesmo monopólio, com a Rede Globo à cabeça, faz sensacionalismo criando um ambiente de ataque e condenação à vítima? Revela o fundo hipócrita de seu discurso de “arautos dos direitos das mulheres e das liberdades sexuais”.

Esses mesmos órgãos do monopólio de comunicação que se apresentam como vanguarda na “luta das mulheres pela liberalização sexual” são os maiores promotores da utilização do corpo feminino como objeto sexual e apologistas da prostituição. São, no máximo, a vanguarda do atraso, defendendo com novas roupagens a velha tara burguesa de converter a mulher em mero objeto de consumo, tanto no lar como na rua. As novelas cumprem um papel ideológico de fortalecimento do machismo, naturalizando a pornografia e a prostituição, alimentando esse mercado extremamente lucrativo, para que as meninas, desde a mais tenra idade, acreditem que seu valor está na exposição de sua sexualidade, estimulando um comportamento sexual desregrado e degenerado, como se isso fosse a “libertação” da mulher. Chegam a defender a prostituição como uma “profissão digna como qualquer outra”, quando é, na verdade, a maior expressão do rebaixamento da condição humana, tanto de quem se prostitui quanto de quem se utiliza da prostituição. Em seus programas de “entretenimento” glamorizam a prostituição como se as mulheres que vivem nesta condição não sofressem os piores tipos de humilhações e violências. Promovem e fortalecem diuturnamente a velha cultura de subjugação feminina, enquanto demagogicamente fazem campanhas “contra a violência sobre a mulher”. Quando fazem denúncias dos inúmeros casos diários de feminicídio, naturalizam o problema como se fosse uma questão de desvio de conduta moral ou de personalidade individual dos agressores e escondem que a base de todo esse repugnante cenário é a manutenção dessa sociedade de exploração e opressão. Contudo, o final feliz das novelas costuma ser sempre igual: para a mulher “regenerada”, o altar e o casamento, a redenção nos braços do príncipe encantado.

O caso Neymar é mais uma expressão de como a mulher é tratada nessa sociedade, vítima de todo o tipo de violência, exploração e opressão. São mais de 1300 estupros praticados por dia no nosso país segundo dados oficiais, e esses números elevadíssimos seguramente ainda são subestimados. Na verdade, além desses horrores com que convivemos diariamente, a maior parte dos estupros acontecem sobre os brancos lençóis dos ditos bem-casados, abençoados pelas igrejas que lhes impõem seus caducos dogmas e segundo os valores morais hipócritas, certificados pelos cartórios dessa velha sociedade. Os crimes de estupro são muito difíceis de ser comprovados tanto por geralmente acontecem sem testemunhas, quanto por ser acobertado pela cultura machista que justifica as maiores barbaridades no comportamento masculino. Influenciados pela ideologia machista, os homens que praticam o estupro pensam que têm o direito de tomar a mulher pela força, quando ela não quer praticar sexo ou não quer fazer da forma como o homem quer impor. É direito da mulher interromper uma relação sexual se assim é o seu desejo. Na maioria das vezes as mulheres se sujeitam a fazer o que não desejam, o que as faz sentir sujas, por uma série de constrangimentos que lhes é imposta como o que é normal e aceitável nessa sociedade. O fetiche das “fantasias sexuais” e da exacerbada erotização de tudo promovido pela indústria pornográfica, que cada vez mais inunda os meios de comunicação, publicações e entretenimentos, estimula todo tipo de degeneração humana e serve à manutenção da mulher como puro objeto, desprovida de desejo, sentimento e dignidade próprios e apontada como ser inferior. Difunde-se o mito de que o estuprador é o homem pobre e negro, saído de um matagal ermo, quando a maior parte dos casos de estupro e assédio ocorre dentro de casa ou no ambiente de trabalho. Sem falar das incursões policiais nas favelas, que deixam um rastro não apenas de jovens assassinados, mas também, muito comumente, de mulheres violadas. Sobre isso, o monopólio de imprensa e os arautos da “moralidade cristã” guardam um silêncio cúmplice e criminoso.

Todo o feminismo burguês e pequeno-burguês, supostamente radical, converge para esse mesmo tipo de pensamento e apontam como suposta “libertação sexual” da mulher o direito dela expor seu corpo e usar sua sexualidade como “empoderamento” não importando forma, a qualquer preço e a qualquer custo. Como se a emancipação da mulher fosse a “conquista” do direito de fazer todas as baixezas tidas por “coisas de homem”. Ou seja, estimulam que homens e mulheres desenvolvam relacionamentos efêmeros, baseados exclusivamente em sexo, desligados de outros aspectos da vida social, particularmente da luta de classes. Isto não é nem de longe o que mulheres e homens podem construir juntos elevando sua condição humana. Para contrapor essa velha cultura de subjugação da mulher é necessário destruir as bases sobre as quais ela se sustenta, a sociedade de exploração e opressão de classe e a propriedade privada. Ao mesmo tempo em que destruímos esta velha sociedade do individualismo e egoísmo, construímos uma nova, coletivista, com novas bases sociais, em que a mulher é considerada um ser humano completo, inserida na prática social ombro a ombro com o homem. Junto com essa nova sociedade se erguerá uma Nova Cultura em que as relações entre homens e mulheres serão de tipo mais elevada e profunda, baseadas em companheirismo e respeito.

Para não julgar o caso Neymar pelas aparências, é necessário refletir sobre todas essas questões, baseando-nos numa análise de classes da sociedade. Neymar é considerado um ídolo de uma geração inteira de jovens. Quão triste e miserável é uma ordem em que os exemplos das futuras gerações não são legítimos membros do povo, seus trabalhadores e pensadores verdadeiros, mas projetos de jogador como este tal. De fato, neste sentido, Neymar não passa de um moleque: não completou sua formação como atleta, menos ainda como ser humano. É, ele também, um lúmpen dos tantos que uma sociedade em decomposição como a nossa cria diariamente. O que não espanta, se pensarmos que é também um lúmpen miliciano que se senta hoje na cadeira de presidente desta republiqueta. Seu comportamento machista reforça nesses mesmos jovens a concepção de que os homens devem usar as mulheres como objeto, de forma descartável, como uma propriedade. O discurso de que “se ela apanha, é porque fez por merecer” ou “porque gosta”, é parte dessa mesma concepção. É a mesma lógica que leva à prática do feminicídio, realidade cada vez mais grave em nosso país e em todo o mundo, hoje, mais do que nunca em crescente desordem, afundado na crise geral de decomposição do capital, o imperialismo.

O Movimento Feminino Popular repudia toda essa velha ordem hipócrita e reafirma a luta pela construção de uma sociedade que ponha fim a toda repugnante ordem de opressão feminina. A condição para transformar essa realidade que subjuga a mulher do povo diariamente só pode se dar através da destruição da base material que a sustenta. Nos países semicoloniais/semifeudais como o Brasil, bem como a imensa maioria dos países no mundo, esse caminho passa pelas Revoluções de Nova Democracia ininterruptas ao Socialismo.

A origem e a causa da opressão feminina é a propriedade privada, bem como o patriarcado e a divisão da sociedade em classes antagônicas dela derivadas, que serve e reproduz a exploração e opressão do homem pelo homem. Somente com a erradicação completa desses fatores e sua substituição por novas relações de produção, baseadas na propriedade social dos meios de produção e de distribuição da riqueza, pode conduzir a emancipação das mulheres ao emancipar politicamente a classe operária e demais classes trabalhadoras. Ou seja, a revolução social do proletariado – composta de homens e mulheres – para o estabelecimento do socialismo em transição para a sociedade sem classes, o comunismo.


Despertar a fúria revolucionária da mulher!

MFP – Movimento Feminino Popular

Junho – 2019


Denúncia urgente: Criminosa reintegração de posse contra famílias camponesas da Comunidade Olaria Barra do Mirador (MG)

Reproduzimos a seguir denúncia feita pelo Comitê de apoio ao jornal A Nova Democracia do Norte de Minas

Denúncia urgente: Criminosa reintegração de posse contra famílias camponesas da Comunidade Olaria Barra do Mirador (MG)


NORTE DE MINAS: CRIMINOSA REINTEGRAÇÃO DE POSSE CONTRA MAIS DE 50 FAMÍLIAS CAMPONESAS DA COMUNIDADE OLARIA BARRA DO MIRADOR/MIRAVÂNIA
Na madrugada desta terça-feira, dia 9 de julho, uma grande operação envolvendo mais de 100 policiais militares fortemente armados expulsou e destruiu as casas das famílias da Comunidade Olaria Barra do Mirador, localizada no município de Miravânia, no Norte de Minas Gerais. A decisão pelo cumprimento da injusta, ilegal, ilegítima e criminosa reintegração foi assinada pelo Sr. Walter Zwicker Esbaille Júnior, juiz da Vara Agrária de Conflitos Agrários do estado.
Os policiais militares, em dezenas de viaturas, chegaram à comunidade ameaçando as famílias, destruindo suas casas e coagindo os camponeses a assinarem um suposto “acordo” que, na prática, legaliza o roubo de suas terras pelo latifundiário grileiro Walter Arantes. Ainda nesta madrugada, apoiadores dos camponeses realizaram um bloqueio de uma estrada que liga Januária à cidade de Miravânia, com pedaços de pau, fogo e faixas denunciando o latifundiário grileiro, que é conhecido na região como “Waltinho”. O Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia está no local e continuará noticiando o desdobramento dos fatos.
As famílias da Comunidade Olaria Barra do Mirador, apoiadas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia, há 19 anos ocupam aquelas terras, que antes eram improdutivas. Em nota publicada no dia 08/07, o Comitê de Defesa das Famílias da Olaria Barra do Mirador denunciou que tal operação foi orquestrada e financiada pelo latifundiário Walter Arantes, recentemente preso por “lavagem de dinheiro” pela “Operação Lava Jato”, e que responde a dezenas de processos em aberto na região e na capital do estado, envolvendo crimes que vão desde “danos ambientais” à “enriquecimento ilícito”.
O antes e o depois do ataque da polícia. Residência camponesa é destruída durante reintegração
Evidenciando como mais este crime contra os pobres do campo está sendo articulado pelo latifúndio junto à Policia Militar, a reintegração foi realizada, sorrateiramente, um dia antes da realização de uma Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, que seria realizada no dia 10/07, em Belo Horizonte.
As famílias e seus representantes legais não foram notificados sobre a realização da reintegração de posse, mas, pelo contrário, no objetivo de tentar impedir sua justa resistência e a grande repercussão favorável às famílias camponesas, o comandante do 30º Batalhão da PM - tenente coronel Rubens Pereira - enviou um ofício ao Conselho Tutelar somente no domingo, dia 07/07. Como demonstra a imagem abaixo, tal ofício foi expedido ainda no dia 14/06 e deliberadamente comunicado somente às vésperas da reintegração. Importante frisar que tal documento não deixa evidente que o cumprimento da reintegração se daria naquele dia, mas anuncia a formação do “Comitê Permanente de Crise”, que sequer foi formalizado.  
Em nota, o Comitê de Defesa das Famílias da Olaria Barra do Mirador afirma:
“No dia 31 de maio, em ato público ocorrido na Escola Estadual Dona Maria Carlos Mota, dezenas de pessoas de bem de diversas comunidades e entidades, comerciantes, vereadores de nossa cidade, a LCP (Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia),  a FETAEMG (Federação dos Trabalhadores da Agricultura de MG), a CPT (Comissão Pastoral da Terra), camponeses de outras cidades e intelectuais honestos, manifestaram apoio à luta das famílias da comunidade Olaria Barra do Mirador. Em todo o Norte de Minas e na capital, nossa denúncia foi levada. Já saiu até em jornal de circulação nacional. Se alguém pretende cometer esse crime contra as famílias, vai fazer à luz do dia e não terá mais paz na vida! Não estamos sozinhos nessa luta! Calamos a boca de muita gente no dia 16 de maio. Até a  advogada do latifundiário ficou de boca aberta, quando uma amiga nossa nos defendeu e falou as verdades na cara de todo mundo. As famílias que estavam sendo pisadas e humilhadas levantaram a cabeça. O prefeito e a polícia estão do lado dos ricos e poderosos, mas nós acreditamos na força do povo organizado, porque ao final das contas a justiça final está é do nosso lado e ela não falhará no momento certo de nos dar força e coragem para enfrentar nossos inimigos.  O gerenciamento de Bolsonaro já declarou guerra aos camponeses e quer a todo custo legalizar a atuação dos pistoleiros e grupos paramilitares dos latifundiários. Este velho Estado, com seu congresso e judiciário corruptos, já demonstrou que está caindo de podre. Não reconhecemos qualquer decisão judicial que não seja pela imediata suspensão da Reintegração de Posse e a legalização das propriedades camponesas”.

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