12/07/2019

Movimento Feminino Popular do Equador lança declaração sobre a morte de mulher grávida em Ibarra

Movimento Feminino Popular do Equador lança declaração sobre a morte de mulher grávida em Ibarra


Reproduzimos aqui nota do Movimento Feminino Popular (Equador), da região de Ibarra, traduzido pelo jornal A Nova Democracia, denunciando o covarde assassinato de uma mulher grávida na capital Quito, a violência contra a mulher e a incapacidade do velho Estado e seus agentes policiais de combaterem esse problema, que têm como sua raiz a sociedade de classes. De acordo com a nota, o monopólio de imprensa colocava de forma chauvinista a culpa do assassinato na etnia de seu parceiro, que era venezuelano. Devido à profunda ligação das companheiras com as massas, até mesmo a imprensa burguesa local citou a declaração em seu jornal.

PRONUNCIAMENTO DO MOVIMENTO FEMININO POPULAR SOBRE O EXECRÁVEL CRIME COMETIDO EM IBARRA-IMBABURA 

Um novo ato de violência chocou os habitantes da cidade de Ibarra, Imbabura. No dia 19 de janeiro de 2019, um indivíduo esfaqueou sua parceira grávida até a morte na presença de oficiais da polícia e transeuntes em uma rua no centro da cidade. A absurdez do fato é que a polícia se provou, mais uma vez, inoperante e incapaz de responder e impedir um ato de tragédia como este.

Além do fato desse tipo de violência ter se tornado diária no país, deve-se considerar que, ao contrário do que a mídia diz, o fato de o assassino ser venezuelano não tem a menor relevância. Esse pensamento resulta em uma xenofobia que não coincide com a realidade objetiva.

Um assassino mata por várias razões, não necessariamente por sua nacionalidade, gênero ou etnia, ele faz isso pois é delinquente, e a responsabilidade é da velha sociedade.

Também é importante considerar que o incidente ocorreu pois a polícia, mesmo tendo os instrumentos necessários para intervir, não foi capaz de fazê-lo.

Deve-se apontar também que a escalada da violência é proporcional ao nível de pauperização, miséria e desemprego que o país enfrenta.

Os comportamentos patriarcais são reflexos de uma sociedade ambígua, obscurantista, semifeudal como a nossa, onde ainda há subsistência de relações sociais marcadas por concepções medievais, precária educação e agentes políticos corruptos no governo, esferas regionais, assembleias, etc. que têm o cinismo de falar sobre moralidade, dignidade e honestidade.

Nós vivemos numa sociedade onde as mulheres são instrumentalizadas em todas esferas, mas não apenas isso, são exploradas e violadas por serem mulheres, mas também por serem esposas, mães, filhas, indígenas, negras ou mestiças, e, acima de tudo, por serem trabalhadoras.

Com o assassinato de Diana em Ibarra, essa sociedade caduca e o velho Estado não mostram grandes sinais de arrependimento. Nada disso mudará enquanto não abalarmos e destruirmos as bases dessa velha sociedade e criarmos uma em que a prioridade será a maioria da população, onde nós entendemos que as mulheres carregam sobre seus ombros metade do céu, e a outra metade é carregada pelos homens; mas não apenas qualquer mulher ou homem, mas nós, os comunistas e apoiadores, nós que fazemos história.

Há que se entender de uma vez por todas: o Estado e seu aparato repressivo não estão aí para garantir a segurança das massas, eles aqui estão para sustentar seu regime de exploração que ataca os direitos mais básicos da população. Não à xenofobia! Um assassino mata porque ele é produto de uma sociedade decadente, não por ser venezuelano, colombiano ou afro-descendente.

O Movimento Feminino Popular do Equador condena a violência a que as massas estão sendo sujeitadas e também denuncia a incapacidade do velho Estado e seu aparato repressivo de prover soluções às necessidades do povo.

Povo do Equador, somente o povo é capaz de defender a si mesmo. Nós precisamos nos organizar contra o crime, mas também contra o governo e o velho Estado, porque esses não respondem aos interesses da maioria.

Nós condenamos o governo e o velho Estado por não aplicar medidas que parem com a violência contra as filhas do povo. 

Abaixo a xenofobia!

Abaixo o feminicídio!

Despertar a fúria revolucionária da mulher para a Revolução Democrática no Equador!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Notícias recentes

11 de janeiro: viva Helenira Resende!

No destaque, Helenira Resende durante congresso da UNE em São Paulo   No último dia 11 de janeiro celebramos, com ardor revolucion...

Mais lidas da semana