30/01/2023

A violência contra as mulheres como regra no “futebol ostentação”, parte da ideologia reacionária do capitalismo

Na última semana mais um escândalo de violência sexual envolvendo “celebridades do futebol” veio à tona com a prisão preventiva de Daniel Alves, acusado de estuprar uma jovem espanhola numa boate de luxo em Barcelona, na Catalunha, no final de dezembro passado. O jogador foi preso preventivamente pela justiça espanhola e demitido por justa causa do Pumas, time mexicano pelo qual jogava. Algumas personalidades e mesmo o monopólio de imprensa anunciaram o fato com estranheza e estarrecimento. Mesmo diante de tantos indícios de culpa e incoerências nos depoimentos do pseudoatleta (mudou de versão por três vezes: primeiro disse que não conhecia a jovem, depois afirmou que só esbarrou com ela no banheiro e logo já mudou a história dizendo que teve relações sexuais consensuais) há quem ainda consiga expressar opiniões como “não se pode condenar o sujeito” porque “ainda não passou por um julgamento”. Ora, não faltariam seus cupinchas de extrema-direita para defender um “bom cidadão brasileiro” que defende “o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. 

27/01/2023

Foi fundada a Liga Comunista Internacional – LCI!

Os Partidos e Organizações marxista-leninistas-maoistas presentes na Conferência Internacional Maoista Unificada – CIMU fundaram a Liga Comunista Internacional – LCI. Fruto de elevada luta político-ideológica no Movimento Comunista Internacional – MCI a fundação da LCI é um marco histórico importantíssimo, inaugura nova fase na luta por impor o Maoismo como mando e guia da Revolução Proletária mundial.

Estiveram presentes 15 partidos e organizações marxistas-leninistas-maoistas que chancelaram importante Declaração de Política e de Princípios: Partido Comunista do Peru (PCP), Partido Comunista da Turquia/Marxista-leninista (TKP/ML), Partido Comunista do Brasil (P.C.B.), Comitê Bandeira Vermelha (República Federativa da Alemanha), Comitês para Fundação do Partido Comunista (Maoista) de Áustria (CFPCmA), Comitê para a Reconstituição do Partido Comunista do México (CR-PCM), Poder Proletário – Organização Partidária M-L-M Colômbia (PP-OP-MLM), Partido Comunista da Colômbia (Fração Vermelha) - (PCC-FV), Fração Vermelha do Partido Comunista do Chile (FVPCCh), Organização para Reconstituir o Partido Comunista da Noruega (OGNKP), Partido Comunista Maoista (PCM) (Estado Francês), Partido Comunista Maoista (Estado Espanhol), Comitê Maoista da Finlândia (MKS), Liga Comunista de Suécia e o Partido Comunista do Equador – Sol Vermelho (PCE-SV).

Na declaração política e de princípios da LCI os partidos e organizações afirmam que:

As relações dos grupos de extermínio com a extrema-direita e o bolsonarismo

Reproduzimos importante matéria do jornal A Nova Democracia sobre a relação patente entre os grupos de extermínio com a extrema direita e o bolsonarismo,tais grupos agem e se organizam militarmente com respaldo e incentivo das Forças Armadas reacionárias e setores do velho estado, que fazem vista grossa a seus crimes contra o povo e contra revolucionários brasileiros.

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As relações dos grupos de extermínio com a extrema-direita e o bolsonarismo

Após a bolsonarada de 8 de janeiro uma notícia chamou a atenção: um dos detidos se autodeclarou membro da Scuderie Le Cocq (SLC). 

Carro usado no atentado no Rio-Centro. Foto: Anibal Philot/Agência O Globo
                                                       

04/01/2023

 Fúria revolucionária das mulheres estremece o Irã e o mundo


Irã, 16 de setembro de 2022. O infame e revoltante assassinato da jovem curda Masha Amini, 22 anos – nas mãos da “Polícia da Moralidade” do Estado teocrático reacionário do Irã por não utilizar o hijab (véu) sobre os cabelos - desatou a maior onda de protestos em décadas no país, que se alastrou por ao menos 161 cidades, dentre elas a capital Teerã, Sanandaj, Bukan, Saqez, Marivan. Durante meses, os protestos continuaram, inclusive, com grandes manifestações de apoio ao redor do mundo. Buscando silenciar as massas, o ultrarreacionário regime dos aiatolás condenou à morte doze ativistas acusados de participar dos protestos. Dois deles já foram enforcados, tendo seus corpos exibidos como exemplo em guindastes. Política de terror que expressa, na verdade, o pânico que as classes dominantes sentem perante o vulcão de massas que irrompe sob os seus pés.

 

Como ocorre em qualquer comoção social de grandes proporções, o assassinato de Masha foi o estopim de um longo acúmulo de contradições e descontentamento represado nas massas. A faísca que incendiou a pradaria. Valendo-se da restrição mais severa mesmo aos mais elementares direitos democráticos das massas, o governo latifundiário-burocrático tem imposto uma piora acentuada das condições de vida dos trabalhadores, que se traduziu na recente suspensão dos subsídios para compra de alimentos, que lançou milhões de famílias à fome. No esteio da crise econômica que se agravou com a pandemia da Covid-19, aumentou o desemprego e a miséria de milhões. Hoje, apenas 23 milhões de pessoas, sobre uma base de 85 milhões de habitantes, possuem um emprego formal. Dentre as mulheres, apenas 11,6% estão empregadas. As universidades também têm sofrido, não apenas com o corte de verbas, como com o aprisionamento da experimentação científica pelo caráter teocrático do regime e a vigilância policial permanente sobre professores e estudantes. Os camponeses são submetidos a uma inaudita exploração pelas autoridades políticas e religiosas, expressão concentrada da semifeudalidade. De tudo isto se constata que, como ocorre em geral, a opressão sexual feminina, com particular manifestação de opróbrio das mulheres do povo, funciona como uma justificativa – e, ao mesmo tempo, um desafogo – para a opressão geral das massas populares.

 

Portanto, a rebelião do heroico povo iraniano – prenhe de tradições de luta anti-imperialista e revolucionária – é mil vezes justa! Confundir a luta de classes dentro do país com a tentativa do imperialismo ianque de utilizá-la para seus próprios fins seria um erro e mesmo uma traição, típica, aliás, de revisionistas. Na verdade, o regime dos aiatolás não é um regime que luta de forma consequente contra o imperialismo: não só porque usa suas pugnas com os ianques para negociar com outras potências a subjugação da nação e seu povo – como Rússia e China – como mantém uma relação de morde e assopra com o próprio USA, buscando usar provocações para barganhar condições. Como exemplo, mais do que eloquente, podemos lembrar que o mesmo regime de Teerã apoiou a declaração de “guerra ao terror” dada por George W. Bush após a maquinação do 11 de setembro de 2001 e as subsequentes invasões ao Afeganistão e ao Iraque. O atual regime iraniano está fundado sobre o sangue de milhares de comunistas e democratas, presos e assassinados após o triunfo da contrarrevolução islâmica de 1979. Não somos daquelas que dizem que o “inimigo do meu inimigo é meu amigo”, pragmatismo burguês contrarrevolucionário. O proletariado, ao contrário, aplica em cada problema político concreto a sua posição de classe independente, que não vai a reboque de nenhuma facção da contrarrevolução externa ou interna. Isso foi o que nos ensinaram desde Marx e Engels.

 

Para concluir: o recrudescimento da violência e da restrição dos direitos das mulheres, inclusive nos países ditos “democráticos” (como EUA, cuja Suprema Corte reverteu o direito ao aborto consagrado desde a década de 1960, causa conquistada a duras penas de lutas memoráveis das mulheres do povo norte-americano), é expressão da crise econômica e da reacionarização política que o imperialismo, em avançado estágio de decomposição, alastra em toda linha. Ao mesmo tempo, as mulheres do povo também participamos em toda frente, ombro a ombro com os homens oprimidos do mundo, das massivas rebeliões populares que estremeceram a Terra recentemente, em todos os continentes e sob todas as modalidades de governos, o que prova que nosso verdadeiro e comum inimigo é o imperialismo e as reacionárias classes dominantes internas. A colossal participação feminina nesses protestos é medida da explosividade das massas que atinge proporções jamais vistas nas últimas décadas. Os reacionários fracassarão na sua tentativa de nos amordaçar, pois é uma lei histórica que as mulheres (e os povos de modo geral) não aceitam viver em condições incompatíveis com a sua época.

 


20/12/2022

Dois pesos e duas medidas

No último mês de novembro, a estudante de enfermagem Rita de Cássia Matias Nogueira, de 28 anos, foi assassinada brutalmente por Iago Lacê Falcão (até então seu companheiro), no Rio de Janeiro. Após alguns dias desaparecida, seu corpo foi encontrado com diversos sinais de espancamento e tortura. O assassino confessou o crime.

Apesar disso, a polícia não efetuou a prisão de Iago, usando a justificativa de que já não havia mais flagrante. Segundo declaração do policial ao portal G1, “a prisão em flagrante, mais usada pela polícia, não estava caracterizada no caso, uma vez que ele não tinha acabado de cometer o crime e, como se apresentou em sede policial e colaborou com as investigações, descaracterizou a prisão temporária também"¹. Se semelhante “garantismo” valesse também para prevenir as execuções sumárias perpetradas todos os dias pelas polícias, nós poderíamos argumentar sobre o mérito, mas seria forçoso reconhecer na decisão alguma coerência. Ocorre que, quando o alvo é a juventude favelada e os que apertam o gatilho são agentes do Estado (e mesmo as polícias civil e federal, que são judiciárias, têm participado cada vez mais na linha de frente do genocídio institucionalizado, assim como a PRF, numa aberração maior ainda), a lógica que vale é a do atirar primeiro e perguntar depois. O “garantismo”, portanto, é apenas uma outra face da seletividade penal e da sanha punitivista, que faz com que a Polícia e o Judiciário decidam com dois pesos e duas medidas, a depender de quem está no lugar do carrasco ou da vítima.

25/10/2022

 

As eleições em curso e a questão feminina

 

Nestas eleições, marcadas pela falsa polarização entre Lula e Bolsonaro (falsa polarização não porque eles sejam idênticos quanto aos grupos de poder que representam, mas sim porque ambos estão comprometidos com a manutenção e defesa da velha ordem, embora por meios distintos), um dos temas cruciais tem sido a questão feminina. Maioria da população brasileira, as mulheres são vistas e tratadas pelos postulantes ao governo de turno como eleitoras, e não sujeitos políticos, membros de distintas classes sociais.


É sintomático o fato de que uma parcela considerável das mulheres pobres, que moram nas periferias das grandes cidades, ou nas vastas zonas rurais, adira a um candidato ultrarreacionário como Bolsonaro, mesmo com todas as barbaridades que ele disse ao longo da sua trajetória. Isso se nota, em especial, entre as fieis das igrejas evangélicas, que o atual mandatário busca atrair para suas bases. Por que isso ocorre? Porque, afinal, nenhuma promessa da dita Constituição Cidadã de 1988 foi cumprida. Nem sequer a igualdade salarial pela mesma função – demanda democrática dos primórdios da burguesia – foi cumprida. O dito voto evangélico traz consigo décadas de exploração e opressão brutais sobre estes contingentes marginalizados econômica e politicamente da população; deve ser explicado não por um “conservadorismo” inato das mulheres pobres, mas pela sua condição material de existência. Não raro, a igreja surge aos seus olhos como a única alternativa à repressão policial ou à perda de seus filhos para as drogas e a criminalidade.


No outro espectro dessa disputa, a candidatura de Lula e do PT busca atrair o voto feminino manejando uma frente eleitoreira que engloba desde típicas representantes das classes dominantes – como a latifundiária Simone Tebet -, passando pelas forças oportunistas e identitárias “pós-modernas” até setores da cúpula da Igreja Católica. No seu embate eleitoreiro, vale tudo, menos ter princípios: convivem no seio do oportunismo as campeãs do feminismo radicaloide pequeno-burguês e as mais notórias declarações contra o aborto, em defesa da “família” etc. Sobre a situação material que empurra milhões e milhões de mulheres para o desemprego, as relações de exploração mais vis e a prostituição, ambos os candidatos apresentam, vejam só, um programa único: turbinar os programas assistencialistas, disputando quem é o seu criador. Tudo de forma a manter intacto o pacto burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo, principalmente ianque, que ao longo das décadas faz mudar a cara dos governos, sem que sua essência mude.


O feminismo burguês e pequeno burguês não pode emancipar as mulheres do povo. No seu esforço por “humanizar o capitalismo”, tais forças fomentam o engano de que a luta das mulheres se desenvolve apartada da luta de classes. O Movimento Feminino Popular afirma, ao contrário, que a verdadeira e grande distinção não é entre mulheres crentes e não crentes, supostamente “conservadoras” ou “progressistas”, e sim entre as mulheres oprimidas do povo e as mulheres das classes dominantes, que são agentes da opressão das massas populares e, dentro delas, das outras mulheres. Não pode haver igualdade, solidariedade ou identidade alguma entre exploradas e exploradoras! Isto é demagogia vã, pura mentira!


Não nos iludamos: o retumbante recorde da abstenção e rechaço à farsa eleitoral, apesar de toda a chantagem movida por um inédito aparato de contrapropaganda e mentiras, só confirma o quanto este sistema de poder está em ruínas. Como dizia o grande Karl Marx, a emancipação dos trabalhadores (onde se incluem as mulheres, a metade do céu) só pode ser obra dos trabalhadores mesmos, conquistada com luta dura, e não pela dádiva de um qualquer arremedo de “salvador da pátria”.



04/07/2022

O direito ao aborto e a situação da mulher no capitalismo


Causou comoção, em todo o País, o caso da criança de 11 anos vítima de estupro que foi impedida pela Justiça de Santa Catarina de realizar o aborto legal. Mesmo sendo prevista pela legislação vigente a interrupção da gravidez em casos de estupro, risco à vida da mulher e fetos anencéfalos, uma portaria ilegal do Ministério da Saúde restringe a realização do aborto a partir da vigésima semana de gestação e, apoiando-se nela, o Hospital Universitário Professor Polyodoro Hernane de São Tiago recusou-se a realizá-lo sem autorização judicial.

Além da flagrante violação a um direito estabelecido (que colocou em risco a vida desta criança), no curso das audiências ela foi alvo de verdadeira tortura por parte da juíza Joana Ribeiro e da promotora Mirela Dutra Alberton, que fizeram de tudo para coagi-la e à sua mãe a não interromper a gravidez. Neste afã, inclusive, a menina foi separada de sua família e internada de forma compulsória em um abrigo. No curso de um interrogatório, a magistrada chegou a indagar à criança se ela já havia “escolhido o nome do bebê”, e se o pai da criança, isto é, o abusador, “concordaria em enviá-la para a adoção”. Consta, nos autos, que a juíza nomeou um defensor para a função de “curador do feto”, que, como se vê, recebeu mais proteção que a própria vítima.

Este modus operandi odioso, que beira o sadismo, não é exceção, mas a regra nas entranhas do sistema de justiça – melhor seria dizer, injustiça – brasileiro, verdadeira máquina de moer gente pobre, e que, quanto às mulheres do povo, ultrapassa o cúmulo do absurdo e de violência. É evidente que uma jovem nascida em berço de ouro, ou mesmo em uma família remediada, jamais seria submetida a esse ritual medieval, simplesmente porque, neste caso, ela não precisaria recorrer ao judiciário para assegurar o aborto legal. Que o dinheiro compra, de fato, este direito é flagrante atraso de nossa sociedade, como na maioria dos países oprimidos, manifestação da feudalidade subjacente e da pendência da revolução democrática que varra todo os anacronismos que vitimam nosso povo.

Para além da indignação, devemos nos perguntar o que essa avalanche de ataques aos direitos das mulheres - dentre as quais se destaca a recente revogação, pela Suprema Corte dos Estados Unidos, do direito ao aborto livre neste país – nos esclarece sobre a realidade das massas na atual época de crise geral e aguda decomposição do imperialismo. Seriam casos isolados e pontuais de “derrotas táticas”, como quer a interpretação liberal-reformista, ou, pelo contrário, expressão necessária do processo de reacionarização da democracia burguesa, insolúveis, portanto, nos seus próprios marcos?

Há um século, quando do triunfo da Revolução Proletária na Rússia, primeiro Estado do mundo a assegurar a plena igualdade de direitos entre mulheres e homens, o grande Lenin dizia que “em todos os países civilizados, mesmo nos mais avançados, é tal a situação das mulheres que, com razão, são consideradas escravas domésticas. Em nenhum dos estados capitalistas, nem mesmo na mais livre das repúblicas, as mulheres gozam de plena igualdade de direitos”. (Discurso no Primeiro Congresso Pan-Russo das Operárias, novembro de 1918, grifo nosso).

Ou seja, a mesma burguesia “democrática” e “liberal” que vitupera sobre as liberdades individuais é, no mínimo, inconsequente, e no máximo abertamente hipócrita, quando se trata da situação concreta das amplas massas trabalhadoras, nas quais se insere a esmagadora maioria das mulheres. Ao contrário do que pregam estes filisteus e seus sequazes oportunistas, no capitalismo não reina a extensão gradativa dos direitos. Marx já falava, no seu tempo, da tendência “tirânica do capital”, isto é, a sua sede implacável por sobretrabalho, que só pode ser freada pela resistência ativa do proletariado*, tendência que se exacerbou na época do domínio do capital monopolista, o imperialismo, que se caracteriza pela busca do lucro máximo. Assim que, sobretudo em épocas de crise, é uma necessidade dos Estados reacionários impor sobre as massas populares a retirada dos mínimos direitos conquistados a duras penas pelas gerações passadas. Como diz o Presidente Gonzalo, em períodos como esses os direitos se perdem, mas menos se perderão quanto mais a classe e as massas lutem. O trabalho doméstico feminino não pago é decisivo para o rebaixamento geral dos salários, e essa dupla exploração das mulheres integradas na produção, isto é, a metade da classe sustenta-se em uma série de preconceitos sobre o papel da mulher na sociedade e numa visão dela como “cidadão de segunda categoria”. Portanto, o “gradualismo reformista” e suas ilusões constitucionais-eleitorais não passam de areias lançadas aos olhos do povo. Somente a revolução proletária poderá estender mesmo os direitos democráticos burgueses elementares à maioria da sociedade, e, por decorrência, à maioria das mulheres. Sem o triunfo desta revolução, não se pode quebrar o ciclo vicioso.

Por isso não devemos nos iludir com as instâncias deste Estado reacionário, suas forças auxiliares nem com a farsa eleitoral. Sob todos os governos desta republiqueta de bananas, desde os “social-democratas” de Lula e Dilma até o ultrarreacionário capitão do mato Bolsonaro, as mulheres seguiram vitimadas não só pela tutela oficial sobre os seus corpos, como pelo genocídio institucionalizado que assassina a elas e aos seus familiares na cidade e no campo; pela carestia de vida que empurra milhões destas mulheres para a prostituição e as condições de existência mais degradantes; pelo sucateamento dos já precários serviços públicos de saúde, educação e assistência, tão bonitos na “Constituição Cidadã”, que as torna escravas “do lar”, as únicas responsáveis pelo cuidado das crianças, idosos e enfermos.

Diante disso, convocamos as mulheres do povo a se rebelarem! Nossa tarefa é por abaixo esta ordem social que mantém as mulheres na prostituição e na escravidão doméstica e assalariada. Isto não significa que as mulheres devam abdicar da luta, imediata, por todos os seus direitos, em particular, nosso direito a viver com dignidade, de interromper uma gravidez indesejada, enfim, a decidir sobre nosso próprio corpo. Contudo, devemos entender que a única forma de garantir plenamente estas reivindicações é através da nossa participação ativa na Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo em nosso país, que forma parte inseparável da Revolução Proletária em nível mundial. De fato, a incorporação das mulheres trabalhadoras ao processo revolucionário é condição indispensável não só para a sua própria emancipação, como para o triunfo desta revolução.

 

 

Nota

* “Nas tentativas para reduzir a jornada de trabalho à sua antiga duração racional, ou, onde não podem arrancar uma fixação legal da jornada normal de trabalho, nas tentativas para contrabalançar o trabalho excessivo por meio de um aumento de salário, aumento que não basta esteja em proporção com o sobretrabalho que os exaure, e que deve, sim, estar numa proporção maior, os operários não fazem mais que cumprir um dever para com eles mesmos e à sua raça. Limitam-se a refrear as usurpações tirânicas do capital. O tempo é o campo do desenvolvimento humano. O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições etc., está toda ela absorvida para o trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente animalizada, para produzir riqueza alheia. E, no entanto, toda a história da moderna indústria demonstra que o capital, se não se lhe põe um freio, lutará sempre, implacavelmente e sem contemplações, para conduzir toda a classe operária a este nível de extrema degradação”. (K. Marx, “Salário, preço e lucro”. Grifo nosso). E, às mulheres trabalhadoras, que arcam, ademais, com o peso da servidão doméstica, é retirada de modo ainda mais cruel a possibilidade de dispor de tempo livre para intervir na política, nas artes, para exercitar-se, enfim, na sociedade em geral.

30/06/2022

AND: Editorial - A marcha do golpismo na farsa eleitoral

Reproduzimos o último Editorial impresso do jornal A Nova Democracia e convocamos as mulheres do povo a realizarem, desde já, uma vigorosa Campanha pelo boicote eleitoral e em defesa da Revolução de Nova Democracia!


 

A crise geral de decomposição do capitalismo burocrático, sua economia moribunda em decadência, só faz agravar, lançando as massas populares num cotidiano mefistofélico, e a sociedade num espiral de esfacelamento. Tudo aquilo que caracteriza uma vida de penúrias e desesperança está cada vez mais presente. 

Mais de 125 milhões de brasileiros e brasileiras não têm garantia de que vão comer. Destes, 33 milhões passam fome todos os dias – um aumento de 14 milhões, se comparado com o índice de 2020. Para ficar no relato de uma trabalhadora entrevistada pelo monopólio de imprensa Globo: “Os meninos choram muito com fome, aí pedem e a gente não tem; a gente fica pensando e a cabeça da gente dói”. Junto, crescem a delinquência e a ação genocida do velho Estado de forma continuada sobre a população de pobres em expedições punitivas policiais nas favelas e país a dentro; cresce a população de rua lançada a sobreviver como animais ou coisa menos digna; o alcoolismo e drogatização; prostituição, inclusive de meninas adolescentes; desestruturação das famílias do povo e toda sorte de tragédias pessoais; ademais das sequelas sociais de todo tipo devido à matança por omissão e atos perversos do governo militar de Bolsonaro durante a pandemia e as desgraças dos crimes contra o povo, chamados oficialmente pelos governantes e monopólio da imprensa como “desastres ambientais”, como o recém-ocorrido na região metropolitana de Recife, matando já 128 pessoas. Alguém tem dúvidas de que este é o Inferno, ou sua antessala?

Frente a isso, a reação inicia a armação de seu circo eleitoral com seu espetáculo pérfido de ilusionistas e domadores, com o objetivo principal de renovar a legitimidade do sistema político putrefato, manejando a falsa polarização entre a falsa esquerda oportunista eleitoreira e o “fascismo”, para angariar votos e engajar as massas através da mobilização entusiástica. Fracassa, no fundamental. Grande parte das massas já atingem um grau de consciência suficientemente claro para não se deixarem nem iludir e nem domar.

Isso se nota pelas pesquisas, pois que, no essencial, o que conduz ao voto aquelas massas populares que ainda não a boicotam é a chantagem. Do eleitorado, 52% têm mais medo de uma reeleição de Bolsonaro e 35% têm mais medo da volta de Luiz Inácio; já sobre a rejeição, 60% rejeitam Bolsonaro e 40% rejeitam Luiz Inácio (Genial/Quaest, 08/06). Ou seja, os eleitores que ainda votam são mobilizados – em geral – pela negação, e não pela afirmação; não votam no que querem, mas sim, votam no que rejeitam menos; não se mobilizam e nem se engajam por crerem na velha democracia e por acharem que seus mecanismos são meios para angariar melhorias nas suas condições de vida; apenas depositam desesperançosos votos que se convertem em acúmulo de frustrações e ressentimentos explosivos que fazem alimentar seu ódio contra todo o sistema político e as instituições corroídos pela corrupção e suas péssimas condições de vida, temperando ainda mais a situação revolucionária e sua propensão cada vez mais ativa a apoiar e tomar parte das inevitáveis ações revolucionárias vindouras.

As eleições, sumamente importantes para a reação se unificar, não apenas não poderão cumprir seu desígnio de iludir e domar a fúria de classe das massas populares, cada vez mais conscientes sobre a natureza de classe desse sistema político moribundo do velho Estado de latifundiários e grandes burgueses serviçais do imperialismo, principalmente ianque, mas também não poderão resolver as pugnas cada vez mais agudas no seio de ditas classes dominantes.

Como já afirmamos, esse ano definirá os próximos, mas não pelo resultado das eleições, e sim pela luta renhida que ocorre em meio e à margem dela. Bolsonaro, que a cada cinco minutos precisa reafirmar que “sou eu o comandante-em-chefe das Forças Armadas” com medo de que alguém o esqueça, está passando crescentemente à ofensiva. Recentemente, disse que não cumprirá eventuais decisões do STF, que o TSE está fazendo de tudo para o Luiz Inácio vencer e que “há quem queira roubar a nossa liberdade” – referindo-se ao TSE – e que para defendê-la ele está disposto a “ir para a guerra”. Sim, o então acovardado capitão do mato agora está apresentando-se valente, uma vez que sabe muito bem do nível de politização das tropas das Forças Armadas e forças auxiliares, que se aprofundará com a aproximação do pleito e com as perspectivas, até aqui apontadas, de vitória do oportunista Luiz Inácio. Sabe que os generais, embora prefiram conduzir seu golpe de Estado pela via institucional e sem rupturas, não podem evitar de todo “embarcar” numa ruptura se estiver em risco seu controle sobre as tropas; sabe que a luta de classes dará um salto, e pretende usar isso como justificativa para seu projeto de terror reacionário e como argumento para arrastar o Alto Comando; sabe ainda que as massas rejeitam a velha democracia – embora também rejeitem uma reedição do regime militar fascista – e que pode utilizar esse sentimento para neutralizar o movimento de “defesa das instituições”; e, principalmente, sabe que os covardes que se encontram no comando jurídico do processo eleitoral não farão nada para impedi-lo de concorrer, pois que fazê-lo seria reforçar sua retórica golpista de que querem tirá-lo do páreo em favor do petista.

E eis que vemos os generais, sacerdotes da inutilidade e dos supersalários, conspirando cada vez mais abertamente por impor a ordem reacionária golpista. O ex-comandante do Exército e atual ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, outrora louvado pelos tolos liberais do monopólio de imprensa como homem-forte da “defesa da democracia” no Exército, em audiência no Congresso, ao ser perguntado se as Forças Armadas aceitariam participar de um golpe provocado por Bolsonaro, não respondeu diretamente, mas apenas leu o artigo 142 da constituição, cuja interpretação unânime para todos os generais, de todas as gerações, é abertamente um salvo-conduto, um livre mandato para intervir militarmente nas instituições para “garantir os poderes constitucionais”, tal qual um Poder Moderador.

Assim é que os generais, que já têm unanimidade sobre a necessidade de eles controlarem o sistema de governo – de preferência, operando nos bastidores, mas com controle real e reconhecido – estão crescentemente se unificando mais e mais numa posição. Avaliam que nessas circunstâncias (politização dos quartéis e risco de quebra da hierarquia; de possibilidades de eleições submersas na violência política e em atentados contra candidatos, todas combinadas com a tendência irreversível de crescimento da Revolução Agrária), ainda que buscando manobrar as tropas enquanto for possível no sentido da não-ruptura, se deva considerar a possibilidade de passar a uma ruptura em confluência tática com Bolsonaro, para depois tentarem neutralizar Bolsonaro, reestruturar o velho Estado e retornar à “democracia” – na verdade, um regime de presidencialismo absolutista – saindo no fim das contas como uma força legalista, que livrou o país dos extremos. Esse é o seu protervo sonho. É por isso que não chancelam definitivamente as urnas eletrônicas – senão que as questionam –, e tampouco afirmam categoricamente que o artigo 142 não lhes permite intervir, senão o contrário. Patetas são os que acreditam que são as eleições que decidirão o rumo do país neste ano, dentre os quais se destaca como o maior deles o senhor Luiz Inácio.

Marx disse que há decênios que valem apenas um ano, e ano que vale por decênios. Essas eleições, não pelo seu resultado em si, mas pela disputa que ela engendrou, farão que este ano valha por decênios. Prenunciando grandes combates de uma guerra de classes, a contrarrevolução está passando em revista a suas fileiras e está afilando suas espadas, debruçando em seus planos de ação e pondo-os em marcha acelerada. A revolução, por assim dizer, deve também fazê-lo, as necessidades das massas assim exigem: fazê-lo com mais energia e sacrifício, com mais concentração e disciplina, mais rápido e melhor.

 

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